Governo busca estratégias para o crescimento
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quarta-feira, 16 de julho de 2003
Lu Aiko Otta<br> Agência Estado 
Brasília O presidente Luiz Inácio Lula da Silva se reúne hoje com um grupo de ministros para discutir medidas que estimulem o desenvolvimento do País no curto prazo e que gerem efeitos ainda em 2003. Em menor escala do que no governo Fernando Henrique Cardoso, volta à cena o velho conflito entre os integrantes do governo que defendem ajuda a setores específicos e os que são favoráveis a políticas gerais para a economia. ''Existe essa questão de fundo'', admitiu um assessor. ''Mas nada tão forte como vimos no passado.''
Essa diferença ficou evidente com a declaração que o ministro da Fazenda, Antônio Palocci, deu terça-feira em Madri. Questionado se haveria redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para automóveis populares, ele respondeu que não havia nada decidido. ''Mas não me parece adequado apenas proteger alguns setores'', afirmou ele, repetindo uma posição defendida também por seu antecessor no cargo, o ex-ministro Pedro Malan.
A redução do IPI para as montadoras havia sido anunciada na semana passada pelo ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Luiz Fernando Furlan. Ela foi confirmada pelo ministro do Planejamento, Guido Mantega, que foi além: outros setores também seriam beneficiados. Mantega não disse quais, mas técnicos acreditam que papel e celulose e siderurgia são bons candidatos. São setores que dão forte contribuição à balança comercial, mas estão próximos do limite de utilização de sua capacidade produtiva.
Palocci, porém, recusa o rótulo de ''monetarista'', que era dado a Malan e seu grupo em oposição aos ''desenvolvimentistas'' liderados pelo ex-ministro da Saúde, José Serra. Ele já declarou, em várias entrevistas, que o crescimento econômico ''não dá em árvore'', ''não se dá por geração espontânea'' e exige outras medidas além de estabilidade macroeconômica e juros baixos. Segundo auxiliares próximos, ele aceita a idéia de ajudar determinados setores, mas faz questão de calcular, antes, os impactos fiscais e econômicos de cada uma dessas medidas.
Existe uma avaliação na área técnica que uma ajuda às montadoras teria um efeito-dominó benéfico na economia, movimentando toda a cadeia produtiva. Potencialmente, a medida beneficia regiões como a Grande São Paulo, que tem registrado índices de desemprego e queda na atividade maiores do que a média do País. Ela também teria a capacidade de estimular o consumo, que é um dos motores do crescimento econômico.
O consumo poderá ter um impulso importante com outra medida: a regulamentação dos microempréstimos, ainda em elaboração pelo governo. A estimativa é que essas operações injetem R$ 1,5 bilhão na economia, atendendo principalmente à população de baixa renda.
A expectativa entre os técnicos é que nenhuma medida deva ser anunciada hoje. Deverão participar do encontro, além de Furlan e Mantega, os ministros da Casa Civil, José Dirceu, da Fazenda, Antônio Palocci, de Minas e Energia, Dilma Rousseff, e os presidentes do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Carlos Lessa, e da Petrobras, José Eduardo Dutra.


