Brasília - O governo já vem buscando alternativas à elevação da taxa de juros para combater a inflação - e não é de hoje, ao contrário do que as declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva deram margem a entender. Está em andamento, desde o ano passado, uma negociação com concessionárias de telefonia, energia elétrica e transportes, para escolher um índice de reajuste que pese menos sobre a inflação. Também fazem parte do cardápio - sem que necessariamente venham a ser aplicadas - medidas como elevar a meta de inflação ou aumentar o volume de recursos recolhidos compulsoriamente pelos bancos ao Banco Central.
Outra linha de atuação é facilitar a entrada de produtos importados, a exemplo do que o governo fez recentemente com o aço. Nenhuma dessas medidas, porém, é facilmente aplicável nem trará um alívio imediato à inflação.
A possibilidade de mudar os índices contratuais que corrigem os preços e tarifas, como dos setores de energia elétrica e telecomunicações, por exemplo, esbarra em regras contratuais rígidas que não podem ser alteradas unilateralmente. Na entrevista da última sexta-feira, Lula admitiu os estudos para a mudança do IGP-M ou do IGP-DI (índices que reajustam a maior parte dos contratos, mas que refletem fortemente a variação do dólar) para o IPCA, o índice oficial de inflação do governo. No entanto, ele reconheceu as limitações: ''não vamos brincar com coisas que podem causar muitos prejuízos nesse País''. O governo já vem trabalhando para adotar o IPCA ou um índice setorial que reflita o custo das empresas, mas a mudança será feita no vencimento dos contratos.
O governo também trabalha como a possibilidade de fazer uma nova rodada de redução da alíquota de importação para setores e produtos específicos, a exemplo do que já foi feito com o aço. Trata-se, porém, de uma medida que não pode ser generalizada, devido aos acordos comerciais com o Mercosul e as regras da Organização Mundial do Comércio (OMC). Esse mecanismo foi utilizado com sucesso no lançamento do Plano Real.
Ontem, o secretário de Comércio Exterior, Ivan Ramalho, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, informou que até o momento não recebeu do governo nenhum pedido de estudo sobre a possível redução de tarifas de importação em setores que vêm pressionando as taxas de inflação. No entanto, esses estudos estão sendo feitos em outras áreas do governo, dentro de uma lógica de aumentar a competição no País e evitar abusos nos preços.

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