Governo autoriza vacinação contra aftosa em todo o RS
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quarta-feira, 09 de maio de 2001
Gecy Belmonte Agência Estado 
Após uma queda-de-braço que durou cerca de dois meses com os pecuaristas e o governo do Rio Grande do Sul, o ministro da Agricultura, Marcus Vinicius Pratini de Moraes, autorizou ontem a volta da vacinação contra a febre aftosa em todo o Estado. A vacinação, segundo o ministro, foi retomada devido à ineficiência do sistema sanitário gaúcho.
As deficiências no sistema de vigilância impossibilitam o adequado controle da zona de proteção proposta, salientou o ministro, referindo-se à decisão anterior de vacinar apenas os rebanhos dos 25 municípios que fazem fronteira com a Argentina e o Uruguai. A retomada da vacinação também joga por terra a pretensão do governo de solicitar o status de área livre sem vacinação ao Escritório Internacional de Epizootias (OIE) para o chamado Circuito Pecuário Sul, formado por Santa Catarina, Rio Grande do Sul e parte do Paraná.
O Ministério da Agricultura decidiu manter o rebanho de Santa Catarina, estimado em 2,5 milhões de cabeças, livre de vacinação contra a aftosa, apesar de ter determinado a vacinação dos 12,5 milhões de cabeças de bovinos e bubalinos do Rio Grande do Sul.
Conforme instrução normativa que será publicada no Diário Oficial de amanhã, fica proibido o trânsito de animais suscetíveis à febre aftosa bem como seus produtos e subprodutos procedentes do território gaúcho para outros Estados.
Esta proibição será mantida até que haja uma definição da abrangência da doença, o estabelecimento de zonas de segurança e a eliminação das fontes de infecção, segundo Pratini de Moraes. Estão excluídas da medida a carne bovina desossada e maturada, carne suína, couros e peles em bruto, desde que submetidos a sal marinho por no mínimo sete dias, couros wet blue ou curtidos e miúdos destinados a consumo humano submetidos a tratamento térmico suficiente para inativar o vírus.
Todos esses produtos terão de ser inspecionados pelo Serviço de Inspeção Federal do Ministério da Agricultura. Não isolaremos o Rio Grande do Sul, enfatizou, informando que a Defesa Sanitária oficial está estudando a instituição de uma rota que permita, posteriormente, o escoamento de animais e produtos gaúchos para os demais estados.
Durante entrevista coletiva, concedida ao lado da bancada federal gaúcha do PPB, partido ao qual é filiado e sobre o qual havia rumores de que estaria se desligando nos últimos dias, Pratini de Moraes disse que não permitirá a politização de questões técnicas.
Segundo ele, essa auditoria apontou diversas falhas no sistema de vigilância epidemiológica, como: reduzido quadro de recursos humanos, corpo técnico desatualizado, sistema de informação com estrutura precária e insuficiente, cadastro de pecuaristas desatualizado, pouca capacidade de mobilização e conscientização da comunidade e pouca integração com o setor produtivo.
Pratini informou que os pecuaristas gaúchos terão de pagar pelas vacinas. O governo, explicou, está avaliando a possibilidade de isentar do pagamento apenas os pequenos produtores.
Esperamos que o Rio Grande do Sul vacine seu rebanho, porque na última campanha de vacinação eles disseram que tinham imunizado 90% do gado quando, na verdade, esse índice não atingiu 50%, disse Pratini.
A vacinação, afirmou, tem um preço muito alto com relação às exportações de carnes pelo País. Confirmou que o Chile e Israel já suspenderam as importações e que outros países estão fazendo consultas nesse sentido.


