Governo atende indústrias e reduz o IPI
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quinta-feira, 23 de julho de 1998
Agência Estado 
O governo decidiu atender o pedido da indústria automobilística e reduzir em 5 pontos percentuais a alíquota do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) incidente sobre automóveis. A informação foi confirmada à Agência Estado por uma fonte da área econômica. A decisão será anunciada tão logo sejam concluídas as avaliações do Ministério da Fazenda sobre um conjunto de novas medidas, que estão em exame, destinadas a estimular o comércio brasileiro no segundo semestre.
A mesma fonte confirnou, também, que entre essas novas medidas se inclui a redução do recolhimento compulsório dos bancos, sobre a qual porém ainda não há decisão fechada. Segundo a fonte, a queda das taxas de juros, que vem sendo feita gradualmente pelo Banco Central, e a redução do Imposto Sobre Operações Financeiras (IOF), anunciada no início do mês, não produziram o impacto esperado pelo governo sobre a atividade econômica. A avaliação das autoridades econômicas é que as vendas de bens duráveis, especialmente de automóveis, continuam deprimidas. A idéia básica é melhorar a liquidez do comércio e aumentar o nível das vendas, disse a fonte.
No caso do IPI sobre automóveis, elevado em cinco pontos percentuais pelo programa de ajuste fiscal de novembro do ano passado, o impacto sobre a arrecadação frustrou as expectativas do governo. Segundo informação da Receita Federal, a arrecadação do IPI sobre automóveis caiu 11,5% reais no primeiro semestre deste ano em relação ao mesmo período do ano passado.
As autoridades acreditam que com as medidas a serem adotadas brevemente será possível aumentar a velocidade do ritmo de atividade econômica no segundo semestre. O objetivo principal é conseguir um crescimento médio de 2% do Produto Interno Bruto (PIB) em 1998. Até abril, o ritmo de recuperação da economia indicava que essa meta era factível, mas em junho, com a decretação da concordata da rede de varejo Arapuã, em São Paulo, a economia sofreu uma meia trava, analisa a fonte.
Os efeitos da concordada atingiram sobretudo os fornecedores de bens duráveis e implicou perda de faturamento de R$ 700 milhões em um setor que já experimentava uma forte redução de vendas. O sistema financeiro reagiu com a supressão das linhas de financiamento determinando, em consequência, queda na produção, elevação dos estoques, a concessão de férias coletivas e a demissão de trabalhadores pelas empresas.


