O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) vendeu 180,6 milhões de ações ordinárias da Petrobras. Apenas no mercado interno, os investidores compraram 40% destes papéis e os 60% restantes foram adquiridos por investidores estrangeiros. Esta colocação de 28,46% do capital votante da estatal permitiu ao governo uma arrecadação de R$ 7,26 bilhões. O dinheiro entrará no caixa do Tesouro Nacional na próxima quinta-feira, quando está prevista a liquidação financeira do negócio.
A operação foi concluída às 23h de quarta-feira. O presidente do BNDES, Francisco Gros, informou ontem pela manhã que a demanda pelas ações foi duas vezes maior do que a quantidade vendida pelo governo. Gros acredita que o sucesso deste modelo reforçará o mercado de capitais do País e permitirá outras colocações de ações seguindo o mecanismo da pulverização.
No total, 310.218 trabalhadores compraram 46,3 milhões de ações ordinárias da Petrobras com recursos do FGTS. Com o deságio de 20% previsto nesta colocação, a União conseguiu R$ 1,595 bilhão da conta do Fundo de Garantia. Outros 25.120 investidores pessoas físicas arremataram 7,2% das ações ordinárias o que representou investimento de R$ 447,3 milhões.
Na avaliação de Gros, o resultado da venda das ON no mercado interno superou as expectativas do banco. Segundo ele, os indicadores de outras colocações feitas por empresas privadas apontavam que os investidores locais absorveriam entre 10% e 15% dos títulos. No caso da Petrobrás, 40% da quantidade de papéis ofertados ficou no País.
Outro ponto importante é o aumento da base de acionista da estatal. Antes da colocação, a companhia tinha 128 mil sócios e agora teve um acréscimo de 350 mil acionistas. ‘‘A pulverização tem duas lógicas’’, disse Gros. ‘‘A primeira é permitir o crescimento do mercado de capitais e a outra visa formar nas pessoas o hábito de poupança.’’

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