Governo argentino vai pesificar sua economia
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segunda-feira, 21 de janeiro de 2002
Agência Estado 
Buenos Aires O governo argentino deixou claro, ontem, que vai promover a total pesificação da economia do país e que não haverá novas flexibilizações nos depósitos congelados na rede bancária, o curralzinho, nos próximos três meses. Adiantando-se à reação barulhenta dos poupadores, em novos panelaços, a equipe econômica sinalizou que o poder aquisitivo dos depósitos bancários em dólares, convertidos em pesos pelo câmbio oficial, será preservado por meio da indexação a indicadores inflacionários. Também antecipou que, em seis ou oito meses, o país começará a sair da crise.
Ontem, o ministro do Interior, Rodolfo Gabrielli, confirmou que os depósitos em dólares seriam transformados em pesos de acordo com a cotação oficial 1,40 peso por dólar. Mas tratou de reiterar a garantia de igual capacidade de compra dos depósitos, seguindo a mesma linha de recentes declarações do presidente argentino, Eduardo Duhalde. No último sábado, Duhalde havia enterrado sua promessa de posse de devolver os depósitos na mesma moeda ao admitir que seria impossível cumprí-la. Se os dólares não existem mais, o que há de se fazer é cumprir com o que o presidente disse e fazer com que as pessoas recebam o equivalente em pesos, afirmou Gabrielli. Não há outro caminho. As pessoas têm de saber que suas economias serão respeitadas.
Em entrevista publicada ontem pelo jornal Clarín, o ministro da Economia, Jorge Remes Lenicov, afirmou que o poder aquisitivo dos depósitos será mantido com o ajuste a um indicador monetário. De acordo com os seus cálculos, o impacto da inflação nos preços, até o momento, foi de apenas 1,9% e caminha bem.
Entretanto, para o jornal La Nación, Remes Lenicov sugeriu que a indexação não deverá se estender a todos os setores da economia argentina, ao declarar que os salário não serão corrigidos por indicadores inflacionários.
Em ambas as entrevistas, Remes Lenicov tentou explicar os caminhos que está seguindo. A flexibilização do curralzinho, que entra em vigor amanhã, foi uma saída rumo à pesificação da economia, e não à dolarização, conforme declarou.
Não podemos apresentar um programa econômico que não atenda a esse tema, afirmou Remes Lenicov, ao referir-se à completa pesificação da economia argentina como parte essencial do plano que apresentará ao Fundo Monetário Internacional (FMI) entre o final de janeiro e o início de fevereiro.


