São Paulo – O presidente da Argentina, Eduardo Duhalde, deu mais uma cartada no jogo de poderes contra a Suprema Corte do país. O governo suspendeu por decreto durante seis meses todos os processos judiciais contra as restrições aos saques bancários, o chamado ‘‘corralito’ (curralzinho, em português). Com o decreto, publicado ontem no ‘‘Diário Oficial’, o governo tenta evitar ‘‘o colapso final do sistema financeiro’.
O conjunto de medidas que reordena o sistema financeiro argentino diz em seu artigo 12º que ‘‘está suspensa por um prazo de 180 dias a tramitação de todos os processos judiciais e medidas cautelares e executivas’ contra as restrições à movimentação bancária.
O decreto oficializa o pacote econômico apresentado anteontem pelo ministro da Economia, Jorge Remes Lenicov. Entre as novas medidas está a ‘‘pesificação’ da economia, liberação dos saques de todas as contas-salário e das indenizações trabalhistas e a adoção definitiva do câmbio livre.
DisputaA suspensão das ações judiciais contra o congelamento dos depósitos vem em seguida à decisão da Suprema Corte, da última sexta-feira, que considerou inconstitucional o ‘‘corralito’.
Todo o sistema financeiro do país foi colocado em risco depois de a Corte ter decidido que alguns correntistas do país poderiam não respeitar o congelamento dos depósitos bancários.
Com isto, os juízes travam uma queda-de-braço com o presidente Eduardo Duhalde e tentam melhorar sua imagem perante a população. Um dos membros da Corte afirmou ao jornal ‘‘Ámbito Financiero’, que seus colegas já sabiam que o presidente argentino pediria a cassação dos juízes durante discurso à nação na sexta passada.
Duhalde já pediu maior agilidade à comissão da Câmara dos Deputados que julgará os pedidos de impeachment contra os membros da Suprema Corte. Anteontem, o chefe de Gabinete do governo, Jorge Capitanich, afirmou que o caso pode estar resolvido entre 20 e 30 dias.
Para o governo, trocar os membros da Suprema Corte parece ser fundamental para não sofrer novos golpes contra suas medidas econômicas, como o ocorrido na sexta-feira.
A restrição aos saques bancários, o chamado ‘‘corralito’, foi adotada em 1º de dezembro do ano passado, ainda durante o governo do ex-presidente Fernando de la Rúa, e prorrogada pelo atual presidente Eduardo Duhalde.

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