Buenos Aires – O secretário da Fazenda da Argentina, Oscar Lamberto, declarou que a eliminação dos bônus emitidos pelas províncias para o pagamento de fornecedores do Estado e os salários dos funcionários públicos provinciais – uma das principais exigências do Fundo Monetário Internacional (FMI) – somente será possível se o Fundo fornecer uma ajuda financeira.
Os bônus são utilizados como uma moeda paralela pelas províncias e são alvos de duras críticas do FMI. Para o Fundo, os governadores gastam suas verbas ‘‘irresponsavelmente’’ e emitem os bônus, utilizados como ‘‘moedas paralelas’’, para esquivar um ajuste fiscal real de suas contas públicas.
O FMI quer que as províncias, que recentemente se comprometeram um reduzir seus déficits fiscais em 60%, apliquem um ajuste adicional de 27%, o que implicaria na demissão de 375 mil funcionários públicos que estariam ‘‘sobrando’’, segundo o organismo financeiro. Os governadores consideram que estas demissões em massa seriam uma medida socialmente ‘‘indigesta’’.
Segundo o secretário Lamberto, ‘‘os bônus estão sendo usados porque as províncias não têm coisa alguma para financiar-se. Não há crédito, e por isso utilizam estas moedas paralelas, que são uma forma de poder cobrir seus déficits’’. No total, circulam 4.234 bilhões de bônus com valor teoricamente equivalente a pesos. Desta forma, o circulante monetário em bônus é de mais de um terço do total que circula em toda a Argentina. A província de Buenos Aires é a maior emissora até o monento entre as províncias, com 1,5 bilhão de bônus ‘‘patacones’’.
O FMI também pretende que o Congresso elimine a lei de ‘‘subversão econômica’’ e a lei de falências das empresas. Além disso, o Orçamento Nacional teria que passar por novas modificações, para ficar mais ao gosto do FMI, que pretende ‘‘reajustar’’ algumas metas ‘‘demasiado otimistas’’ do governo, como a inflação e o déficit fiscal.

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