Governo argentino pode criar imposto sobre grandes empresas
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domingo, 03 de março de 2002
Agência Estado 
Buenos Aires O governo do presidente argentino Eduardo Duhalde de anunciar hoje a criação de um imposto especial sobre as grandes empresas, principalmente as empresas de serviços públicos privatizadas. Já no discurso de posse, há dois meses, Duhalde havia anunciado que as grandes empresas, que tiveram enormes lucros durante a década passada, teriam que colaborar na saída da crise argentina. No entanto, o tributo seria cobrado apenas uma vez.
As empresas atingidas por este imposto serão as que foram beneficiadas com a pesificação, ou seja, a transformação de suas dívidas no sistema financeiro local em dólares para pesos, na proporção de US$ 1,00 para 1,00 peso. A diferença da pesificação será coberta pelo Estado argentino.
O governo espera conseguir uma quantia entre 1,3 bilhão de pesos (US$ 750 milhões) e 3 bilhões de pesos (US$ 1,5 bilhão) com este imposto. Os fundos obtidos serão destinados à criação de dois milhões de postos de trabalho temporário para pais e mães de família desempregados. A urgência agravou-se nos últimos dias, já que uma eventual ajuda financeira externa ainda está indefinida.
O desespero do governo aumenta a cada anúncio dos índices econômicos, que demonstram que a economia argentina não só está estancada, como também oferece poucos sinais de estar perto da retomada da recuperação. O governo possui urgência em conseguir fundos para conter a crescente conflitividade social. Nas últimas semanas, retornaram as tentativas de saques a supermercados, e são frequentes os piquetes nas estradas, feitos por grupos de centenas de desempregados, que pedem comida e trabalho.


