Ariel Palacios
Especial para AE
De Buenos Aires
‘‘Daqui a pouco tempo poderíamos assistir à falência da Aerolíneas Argentinas’’. Desta forma, o vice-presidente da República, Carlos ‘‘Chacho’’ Álvarez, alertou para o caótico estado da principal linha aérea que conecta grande parte das cidades do país. A empresa deve US$ 800 milhões e segundo especialistas, somente possuiria um patrimônio de US$ 50 milhões. O balanço do ano, embora ainda não fechado, indicaria que teria sido de US$ 150 milhões de dívidas, sobre um faturamento de US$ 1,1 bilhão.
O vice-presidente Álvarez deixou claro que o governo não ajudará a empresa no caso de falência: ‘‘O Estado não pode subsidiar empresas privatizadas ineficientes’’. Segundo Álvarez, a crise da empresa se deve à ineficácia da administração que teve desde que foi privatizada em 1990.
O chefe do gabinete de ministros, Rodolfo Terragno, confirmou a posição de Álvarez, mas disse que era importante que a Argentina conte com uma empresa nacional que faça ‘‘a inter-conexão do país’’. No total, a companhia, junto com sua subsidiária Austral, atende 92 cidades, o que demonstra uma enorme proporção em relação às concorrentes outras empresas concorrentes no país – a Dinar, Laer, Lapa e Southern Winds – juntas somente atendem 88 cidades argentinas.
A história da Aerolíneas Argentinas tem sido uma sequência de fracassos desde que foi uma das primeiras empresas privatizadas. Primeiro, nos anos 80, foi por água abaixo o projeto de vender 40% à escandinava SAS. Finalmente, em troca de bônus da dívida, foi vendida a um consórcio espanhol, que em 1998 cedeu a direção da empresa à American Airlines.
Na ocasião, o acordo era que a empresa norte-americana teria a gerência em troca de encontrar sócios para 60% das ações. Mas o prazo para isso venceu no dia 31 de dezembro passado. Sem resultados por parte da American Airlines, mais uma vez, a direção da Aerolíneas voltará às mãos espanholas.
O pacote acionário das Aerolíneas é composto assim: 85% pertence ao consórcio Interinvest, do qual 80% pertence à Sociedade Estatal de Participações Industriais (SEPI) da Espanha. Os restantes 20% se dividem meio a meio entre a companhia aérea Iberia e a American Airlines. Além deles, 5% das ações da Aerolíneas são do Estado argentino, e 10% dos trabalhadores da empresa.