O governo argentino começará a aplicar dentro de 20 dias um sistema de monitoramento das mercadorias importadas, para enfrentar distorções e manobras no comércio, depois da desvalorização do real, no Brasil, anunciou o secretário de Indústria e Comércio, Alieto Guadagni.
Guadagni disse que o objetivo da medida é vigiar ‘‘o comércio externo para verificar assim a existência ou não de possíveis manobras desleais de preços, como o dumping ou o subfaturamento’’. De acordo com Guadagni, as mercadorias atingidas pelas medidas foram avaliadas ano passado em US$ 5,5 milhões. Esclareceu que serão monitoradas as provenentes de qualquer destino, não apenas dos países do Mercosul.
A queda do real injetou poder competitivo ao Brasil no mercado regional, do mesmo modo que foram prejudicadas as exportações da Argentina, enquanto paira sobre a produção local a ameaça de uma invasão de mercadorias brasileiras.
O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Celso Lafer, afirmou ontem que o Brasil não vai mudar a política de incentivo às exportações, inclusive no comércio com os países do Mercosul, apesar das reclamações do governo argentino. ‘‘Neste momento, não vamos alterar nada’’, afirmou o ministro, argumentando que não há como projetar para o ano inteiro taxas de câmbio como as que estão sendo praticadas agoraö.
Lafer encontrou-se duas vezes com a missão do governo argentino. A primeira, segundo ele, na semana passada, e a outra no início desta semana, para tratar da questão cambial e seu impacto no comércio entre os dois países. O ministro lembrou que os argentinos estão fazendo duas reivindicações básicas. Uma é a redução ou eliminação de financiamentos do Programa de Financiamento às Exportações (Proex) nos produtos vendidos para a Argentina e a outra é a revisão dos créditos fiscais de PIS, Pasep e Cofins, nos produtos comprados pelo Brasil por outros países do Mercosul.
‘‘Ficamos de estudar o assunto, mas eu disse às autoridades argentinas que vamos olhar construtivamente os pleitos, mas não é possível, duas semanas depois da introdução de um novo sistema cambial, que possamos fazer uma avaliação’’, ponderou. Lafer alega que não há, hoje, como prever o que irá acontecer dentro de dois ou três meses. ‘‘Fazer a anualização com essas taxas não é boa técnica econômica e nem politicamente prudente’’, disse o ministro, que terá, em fevereiro, uma nova reunião com os parceiros da Argentina.

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