Governo argentino ameaça cassar concessão da Petrobras
PUBLICAÇÃO
domingo, 05 de setembro de 2004
Agência Estado 
Buenos Aires - O mais importante jornal argentino, o ''El Clarín'', publicou em sua edição de ontem a informação de que o governo do presidente Néstor Kirchner está ameaçando cassar a concessão dos gasodutos que a Petrobras administra no país. Kirchner e seus assessores acusam a empresa de não ter começado as obras de ampliação do gasoduto San Martín, que liga a província de Tierra del Fuego, no extremo sul do país, com a área da Grande Buenos Aires.
A ampliação do gasoduto é considerada crucial para evitar uma crise de abastecimento de energia no inverno de 2005 e é a prioridade do Plano Energético Nacional 2004-2008 da administração Kirchner. Originalmente, o dinheiro para a obra - US$ 270 milhões - seria colocado por um fundo fiduciário composto por Fundos de Pensões, bancos e petrolíferas da Patagônia. Mas o fundo fracassou porque o governo não conseguiu seduzir investidores. Agora, a administração Kirchner quer que a Petrobras se encarregue sozinha da ampliação do San Martín.
Kirchner é o primeiro presidente da História da Argentina que acompanha a evolução do mercado do petróleo e gás de forma diária (e quase paranóica, segundo fontes do governo e do setor petrolífero). Para desespero de seus assessores, o presidente argentino interfere pessoalmente e com frequência nas negociações.
Há um mês, ele reclamou pessoalmente ao chanceler brasileiro, Celso Amorim, da suposta falta de investimentos da Petrobras na Argentina. O assunto não estava na agenda do encontro. No entanto, Kirchner, sem papas na língua, ocupou grande parte da reunião para desenrolar uma longa lista de críticas à empresa brasileira. A Petrobras produz 12% do petróleo argentino e 8% do gás. Seus postos de gasolina são responsáveis por 20% do combustível consumido pelos argentinos.


