Governo apresenta proposta para Iapar a lideranças na Expo
Secretário da Agricultura afirma que recepção foi boa em Londrina, mas servidores criticam falta de abertura para sugestões para novo órgão
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 10 de abril de 2019
Secretário da Agricultura afirma que recepção foi boa em Londrina, mas servidores criticam falta de abertura para sugestões para novo órgão
Fabio Galiotto - Grupo Folha 

O secretário de Estado da Agricultura, Norberto Ortigara, apresentou na quarta-feira (10) a lideranças da SRP (Sociedade Rural do Paraná), durante a ExpoLondrina, as propostas do grupo de estudo formado para debater a fusão das autarquias Iapar (Instituto Agronômico do Paraná), Emater (Instituto Paranaense de Assistência Técnica e Extensão Rural) e CPRA (Centro Paranaense de Referência em Agroecologia), além da empresa de economia mista Codapar (Companhia de Desenvolvimento do Paraná). Foi a primeira de uma série de reuniões com representantes de cooperativas, sindicatos e federações rurais para tratar do que Ortigara chama de esboço. Porém, pesquisadores do Iapar consideram que não há espaço para opinião de servidores e que permanece o risco de esvaziamento da atuação do órgão.
Ortigara disse que as lideranças que ouviram a primeira apresentação consideraram que há necessidade de enxugamento administrativo, mas que é preciso preservar a capacidade de pesquisa pública, principalmente em culturas que não são foco da iniciativa privada, como café, feijão e hortifrúti. “E a proposta que me foi entregue [pelo grupo de trabalho] reduz em 41% os cargos de gerenciamento e de diretorias e enxuga em 26% o custo de gestão.”
O secretário citou que a ideia é aproveitar o CNPJ do Iapar para aglutinar os quatro órgãos, o que viabiliza o acesso a fontes financiadoras de pesquisa como Finep (Financiadora de Estudos e Projetos) e CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico). Ainda, disse que a coordenação de pesquisa será mantida em Londrina, junto a ao menos mais uma das diretorias do instituto. “Vamos levar aos servidores nossa proposta e, se tiver consenso, vamos levar à Assembleia [Legislativa] ao fim do mês”, disse Ortigara.
O presidente do Conselho de Administração da SRP, Afrânio Brandão, elogiou a iniciativa de Ortigara de apresentar a proposta à entidade antes que chegasse à Assembleia. “Vamos fazer a nossa proposta. As diretorias de pesquisa, de negócios e de finanças têm de ficar em Londrina. O órgão foi criado aqui e é referência, responsável por quase todas as variedades de feijão plantadas no País”, disse. “Vamos conversar com o governador e mostrar nossas necessidades”, complementou.
CRÍTICAS PERMANECEM
No entanto, os servidores do Iapar ainda afirmaram que a proposta põe em risco a manutenção de recursos para estudos e que houve espaço para sugestões durante a formatação da proposta. Diretor de pesquisa do órgão até 2018 e atual servidor no departamento de socioeconomia, Tiago Pellini criticou a apresentação a entidades que representam o agronegócio antes de debater o formato com especialistas, por reduzir o espaço para mudanças. “Para nossa surpresa, houve uma reunião da diretoria com o corpo gerencial do Iapar em que se falou que o entendimento era de que a etapa para a contribuição de servidores foi dada como encerrada, e isso sem nem ter começado”, disse Pellini.
O pesquisador considerou que falta transparência no processo de fusão e que mesmo a economia citada por Ortigara não está clara. “O mais complicado é que uma das instituições que serão aglutinadas, que é a Codapar, é de economia mista e não está bem financeiramente”, disse.
Pellini completou que o órgão tem dívidas e passivos trabalhistas altos, mais de 300 funcionários e uma folha de pagamento de R$ 56 milhões anuais, que seria incorporada ao orçamento do funcionalismo estadual. “Em 2012, também com a justificativa de juntar para sanear as finanças, a Codapar foi unida à Claspar [Empresa Paranaense de Classificação de Produtos] e hoje está em situação complicada”, afirmou. “Mas é difícil até criticar esse projeto porque não está aberto para a sociedade como deveria ser.” (Colaborou Vitor Struck)


