O governo está recorrendo esse ano ao mecanismo de contrato de opções como novo instrumento de comercialização. Na safra de verão, vai incentivar as operações com milho, arroz e algodão e na safra de inverno, com trigo. Os contratos de opções vão induzir o produtor a acompanhar o mercado, além de possibilitar que o governo possa fazer um mapeamento mais eficaz sobre a existência de estoques, informação que combate a especulação, defendeu o secretário nacional do Ministério da Agricultura, Benedito Rosa do Espírito Santo, que esteve ontem em Curitiba. Rosa e o diretor de crédito rural do Banco do Brasil, Ricardo Conceição estiveram participando da teleconferência sobre Instrumentos de Comercialização da Safra 2.000, patrocinada pela Federação da Agricultura do Paraná (Faep).
Através dos contratos de opção, o produtor paga um valor para travar o preço antecipadamente e ganhar o direito de vender a produção ao governo no preço e prazo fixado no contrato. Quando chegar a data limite, o produtor vai exercer o direito de vender ou não para o governo, conforme for mais conveniente. Dos R$ 2,8 bilhões previstos para apoiar a comercialização da safra 99/2000, o governo pretende aplicar até R$ 1,1 bilhão na fixação de contratos para cerca de 5 milhões de toneladas de grãos.
Para o milho, o governo estabeleceu como cota de participação o valor de R$ 0,05 por saca. A previsão é garantir a compra de até 3,3 milhões de toneladas em todo o País pelo contrato de opção garantido pelo governo. Rosa informou que outros contratos de opção estarão sendo operados pelo mercado. Outro produto que terá forte apoio, através dos contratos de opções, será o arroz, onde o governo pretende atender até o volume de 800 mil toneladas. Além dos contratos, o governo está adotando como instrumentos de comercialização outros mecanismos como EGF e AGF.
Segundo Rosa, o governo não tem previsão de amparar os produtores de soja que estão sofrendo a concorrência do produtor norte-americano que está recebendo subsídio. Para escapar da concorrência, chamou a atenção dos produtores para que estudem melhor o mercado de milho que deverá estar com preços firmes durante o ano.
O governo descartou a possibilidade de liberar mais recursos, além dos R$ 30 milhões anunciados para compra do feijão. Até agora já liberou R$ 20 milhões para o País todo e o restante está dependendo de negociação com o Ministério da Fazenda.
Sobre o trigo, uma das principais reivindicações dos produtores do Paraná neste momento, Rosa afirmou que o governo já está estudando um preço mínimo. ‘‘Mas acredito que não será inferior a R$ 200,00/tonelada.’(V.C.)