Agência Estado
A atividade econômica brasileira já entrou no processo de recuperação esperado para o segundo semestre deste ano, na avaliação do secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Amaury Bier. ‘‘A recuperação está em curso e vai intensificar-se, à medida em que for mantida a continuidade na queda das taxas de juros’’, disse ele. ‘‘Temos agora sinais mais claros do que as avaliações impressionistas que fazíamos semanas atrás.’’ O secretário lembrou que os dados sobre a atividade da economia brasileira têm surpreendido favoravelmente, a começar pelos cálculos do Produto Interno Bruto (PIB) do primeiro trimestre - que apontaram crescimento de 1,02% sobre os três últimos meses de 98.
Indicações de que a economia brasileira já reverteu as projeções mais pessimistas do início do ano também podem ser tiradas, segundo o secretário, dos indicadores calculados pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), da Federação da Indústria do Estado de São Paulo (Fiesp), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e da Associação Comercial de São Paulo. A produção industrial cresceu 0,3% no período de janeiro a março, em comparação com o outubro a dezembro de 98, sendo que a produção de bens de capital cresceu 3,6%. As vendas reais em São Paulo cresceram 0,5%.
‘‘A avaliação dos empresários, de uma maneira geral, também está mais positiva’’, observou o secretário. Ele comentou o resultado da pesquisa feita pela Internews e divulgada ontem em São Paulo, onde 62% dos 800 empresários entrevistados disseram acreditar no crescimento do PIB neste ano. ‘‘Acho que estamos num processo de recuperação semelhante ao que acontecia por esta época, no ano passado, e que foi interrompido pela moratória russa’’, observou o secretário. Neste ano, o problema é a elevação das taxas de juros nos EUA. ‘‘De fato, há apreensão no mercado e uma subida das taxas de juros não é um cenário que se possa descartar’’, disse Bier. ‘‘Mas não creio em movimentos fortes.’’
Apesar dos sinais positivos, o cenário econômico a ser apresentado à missão técnica do FMI, que chega ao País na próxima segunda-feira, a estimativa para o PIB continuará sendo de uma variação negativa com relação ao ano passado. ‘‘A projeção do PIB baliza as estimativas de receita para o ano’’, observou. ‘‘Por isso, não convém ser muito otimista com relação ao PIB, sob pena de não conseguirmos atingir a arrecadação estimada.’’
O novo cenário contemplará ainda uma estimativa de inflação mais baixa do que os 16,8% projetados no início do ano e uma trajetória do câmbio mais favorável. No início do ano, os técnicos achavam que a cotação do dólar em reais levaria mais tempo para cair. Bier não antecipou a taxa de variação do PIB, mas ela será diferente da queda de 3,5% a 4% estimada no início do ano.
O secretário informou que a área econômica do governo e a missão do FMI acertarão os compromissos de desempenho para as contas públicas brasileiras no segundo semestre de 99, além de avaliar os resultados do primeiro trimestre. ‘‘Cumprimos todos, e com folga’’, informou Bier. O trabalho deverá tomar dez dias.

mockup