Brasília O ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, reforçou ontem o apoio do governo ao plano de déficit nominal zero apresentado pelo deputado Delfim Netto (PP-SP). O ministro disse que é viável a aprovação ainda este ano de um Projeto de Emenda Constitucional (PEC) que estabeleça um plano de metas para as contas públicas apresentarem déficit nominal zero num prazo determinado. ''Qualquer coisa que seja feita para melhorar a situação do País é viável'', afirmou.
A poucas horas do jantar que seria oferecido ontem à noite pelo deputado Delfim Netto a ministros e empresários para discutir a proposta, Paulo Bernardo disse que é possível construir apoio parlamentar para a aprovação da emenda, mesmo em meio à crise política que abala o País. Segundo ele, parlamentares da oposição e da base do governo já estão discutindo a possibilidade de adoção do plano.
Para o ministro do Planejamento, as políticas fiscal e monetária estão a ''léguas de distância da crise'' e as denúncias do ''mensalão'' não têm afetado as discussões e votações no Congresso. ''A crise política tem de ser resolvida no âmbito político. O pessoal tem de fazer lá as investigações, tem de negociar, discutir como vai sair desse embaraço político enorme que o País observa'', afirmou.
Bernardo teve uma longa discussão sobre a proposta com o ministro da Fazenda, Antonio Palocci. Os dois receberam a orientação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para buscar apoio dos empresários e das lideranças políticas ao projeto, que implicará em mais aperto fiscal, inclusive em ano eleitoral. O ministro disse, porém, que a discussão da proposta não pode ser vinculada ao debate eleitoral. ''Não vejo como podemos relacionar uma coisa à outra. Se isso for uma proposta viável, boa para o País, vamos angariar apoio, caso contrário não vamos conseguir. Não pode estar vinculada a debate eleitoral'', afirmou o ministro, ao ser questionado se o preço para a aprovação da emenda do déficit zero seria o presidente Lula desistir da reeleição.
O ministro comentou ainda que a adoção do plano de déficit zero representaria um ''aprofundamento'' da política que o governo Lula já vem adotando. ''Quando o Delfim fala em buscar déficit nominal zero nos próximos cinco, seis, sete anos, tem de ser entendido como uma evolução. Significa segurar gastos correntes e aumentar recursos para investimentos'', afirmou.
Para obter déficit nominal zero, o governo tem que conter gastos para poupar o suficiente para pagar todas as suas despesas e os juros da sua dívida. O Instituto de Pesquisa Econômica e Aplicada (Ipea) vai organizar um seminário sobre tema no início de agosto.

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