Governo aperta fiscalização da carne exportada
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sábado, 24 de setembro de 2005
Vânia Casado<br> Equipe da Folha 
Curitiba - O aumento das exportações de carnes levou o Ministério da Agricultura, Pecuária e do Abastecimento (Mapa) a ampliar a estrutura de médicos veterinários que agem como fiscais federais nos frigoríficos exportadores. A preocupação é manter o rigor no processo de exportações, para evitar atos ilícitos como os acontecidos recentemente no Rio de Janeiro, quando a Polícia Federal flagrou o envio de cocaína dentro de pedaços de bucho bovino congelado, que seriam exportados para Portugal.
No Paraná, a equipe com 110 médicos veterinários foi reforçada com sete profissionais para atender o aumento da demanda nas indústrias. No País, o ministério reforçou a fiscalização com a contratação de 100 médicos veterinários que foram deslocados para os frigoríficos exportadores.
Mesmo assim há deficiências de profissionais, disse o superintendente da delegacia regional do Ministério da Agricultura no Paraná, Valmir Kowaleski. As projeções para 2006 prevêem aprovações de novos estabelecimentos exportadores e ampliação de estruturas já existentes, o que levará à necessidade de realização de novos concursos públicos.
No Paraná estão habilitados para exportar dois frigoríficos de carne bovina, 20 indústrias de aves e quatro frigoríficos de suínos. Para cada unidade, o ministério mantém equipes de dois até 30 técnicos, entre fiscais federais agropecuários e agentes de apoio, que acompanham todas as etapas de preparação da carne como os processos de abates, desossa, cortes e embalagens até o embarque final. O número de fiscais varia conforme a produção.
Segundo Kowaleski, o sistema de inspeção federal começa a ser aplicado no período de habilitação da unidade exportadora. O ministério mantém nesses estabelecimentos as equipes que conferem as normas sanitárias brasileiras e as exigidas pelos países importadores. A inspeção sanitária não se restringe apenas ao abate de animais, se estendendo também sobre o processo industrial, para conferir a situação higiênico-sanitárias das instalações.
Dentro da indústria, o médico veterinário e os agentes de inspeção cumprem a programação de produção das indústrias, que é enviada com antecedência para o ministério da Agricultura programar o deslocamento e substituição dos fiscais. ''Tem indústria que trabalha 24 horas por dia, sendo necessário a alocação de três equipes'', explicou o superintendente da delegacia regional do ministério.
Segundo Kowaleski, os fiscais federais também são responsáveis pela emissão de certificados sanitários para o transporte da mercadoria até o porto. O ministério exige rigor na aferição da carga com a documentação antes da liberação, explicou. No porto, novas equipes que integram o serviço de vigilância sanitária - Vigiagro, acompanham os embarques. Os agentes recebem a mercadoria enviada pelos frigoríficos, conferem o número dos lacres, em caso de suspeita abrem embalagens, por amostragem, para conferir se a mercadoria corresponde ao que consta na documentação. Depois disso é emitido um certificado sanitário internacional que permite o embarque no navio.


