O governo federal fez ontem um apelo às montadoras para que elas não reajustem seus preços a partir do dia 4 de maio - quando vence o acordo em que o governo reduziu a tributação sobre carros em troca da estabilidade nos preços e da preservação dos empregos. A prorrogação do acordo está sendo discutida.
A indústria insiste num aumento médio de 10%. ‘‘Se não houver concessão na área de preços, sinceramente, não sei qual será a posição do governo’’, disse ontem o secretário de Comércio e Serviços do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (MDIC), Hélio Mattar. Ele informou que uma possibilidade seria prorrogar o acordo, mas com alguma ‘‘remodelação’’, ou seja, a indústria elevaria seus preços, mas os descontos nos impostos ficariam menores.
As montadoras poderão ainda ser beneficiadas com R$ 600 milhões em recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT). O dinheiro, se liberado, será utilizado pelos bancos próprios das montadoras para financiar a venda de mais 60 mil automóveis. Mattar disse que conversaria sobre o assunto com o ministro do Trabalho, Francisco Dornelles, a quem cabe apresentar a proposta ao Conselho Deliberativo do FAT (Codefat). As montadoras oferecem taxas de juros abaixo das de mercado, na casa dos 2% ao mês, mas alegam que estão chegando a seu limite de financiamento.
Ontem Mattar reuniu-se com o presidente da Associação Brasileira dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), José Carlos Pinheiro Neto, a quem pediu para manter os preços. ‘‘Ele ficou de consultar as alturas’’, informou o secretário. ‘‘Os sindicatos consultam as bases, o presidente da Anfavea consulta as alturas’’, brincou. Pinheiro Neto teria adiantado, porém, que seria ‘‘muito difícil’’ ceder. Mattar encontrou-se, também, com sindicalistas da Central Única dos Trabalhadores (CUT) e da Força Sindical, com quem fez um balanço sobre o andamento do acordo até agora.
A decisão quanto aos preços deverá ser tomada até segunda-feira. O acordo em vigor prevê que não haverá aumentos até o dia 4 de maio, que a redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) vigora até 17 de maio e as demissões ficam suspensas até 1º de julho.
Mattar propôs que a indústria segure os aumentos por alguns dias, até que o MDIC entre em consenso com a Receita Federal quanto aos impactos do acordo na arrecadação. Uma das condições para a prorrogação do acordo é que não haja redução na arrecadação do IPI. ‘‘Mas não está especificado se é o IPI das montadoras ou o da cadeia produtiva como um todo’’, observou. Esse é um dos pontos que ele pretende discutir com o secretário da Receita, Everardo Maciel.
O Ministério da Fazenda, preocupado em cumprir as metas fiscais acertadas com FMI, foi contra o acordo desde o início. No entanto, o presidente FHC já se declarou simpático à sua prorrogação. ‘‘O presidente referiu-se à questão do emprego, mas isso não significa que haverá concessões’’, avisou Mattar. Nas contas da Receita, a arrecadação do IPI sobre automóveis caiu 57,10% em março passado, na comparação com fevereiro.

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