Brasília - O governo destinará R$ 32,5 bilhões em recursos para crédito rural na próxima safra, o que significa um aumento de 25,8% em relação ao ano-safra 2002/03. O anúncio do Plano Agrícola e Pecuário 2003/04 foi feito ontem pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e pelo ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, em uma solenidade no Palácio do Planalto. A produção de grãos na safra 2003/04 pode superar 120 milhões de toneladas, estimou o presidente. A colheita da safra atual é estimada pela Conab em 115,211 milhões de toneladas.
Para o presidente, a produção agrícola poderá crescer ainda mais nos próximos anos. Lula calculou que hoje são 48 milhões de hectares cultivados no Brasil e que há mais 90 milhões de hectares em área que podem ser destinadas à agricultura. Outra boa notícia anunciada ontem, na opinião dos produtores, foi a manutenção da taxa de juros do crédito rural em 8,75% ao ano.
Em seu discurso, o presidente defendeu um intercâmbio comercial maior com países de fora do eixo Estados Unidos-Europa, como alternativa para fugir das barreiras impostas à entrada de produtos brasileiros pelos países desenvolvidos. O governo, ressaltou, está trabalhando numa aproximação maior com a Índia, China e Rússia. ''Sem deixar de lado nossas relações com os Estados Unidos e a União Européia, vamos consolidar outras relações'', disse o presidente.
Ele destacou que o Brasil não pode ficar esperando compradores para seus produtos. ''Não devemos esperar as pessoas perguntarem se a gente tem. Vamos lá mostrar'', afirmou. Lula voltou a criticar os países desenvolvidos que mantêm uma política de subsídio agrícola. ''Eles falam muito em livre comércio, mas não querem tirar os subsídios, porque sabem que vamos dar um banho com nossa competência na agricultura'', afirmou.
Lula aproveitou a solenidade para fazer elogios ao ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues que, segundo ele, ''é um 'cricri' em defesa da agricultura brasileira''. Na mesma solenidade, o ministro da Segurança Alimentar, José Graziano, chegou a chorar quando o presidente lembrou que a indicação do nome de Rodrigues para o ministério partiu dele.
O ministro da Agricultura afirmou que, ao assumir a Presidência da República, Lula solicitou um plano agrícola antecipado que permitisse ao produtor fazer a melhor escolha de plantio. O presidente também queria um programa que trouxesse regras claras para permitir a estocagem de alimentos, atender à demanda interna e gerar excedentes exportáveis.
Rodrigues reafirmou que a área plantada cresceu 12% entre 1990 e 2003, mas a produção teve crescimento muito mais expressivo, de 57 milhões de toneladas para 115 milhões de toneladas, no mesmo período.
O presidente da Confederação Nacional de Agricultura (CNA), Antonio Ernesto de Salvo, considerou o plano agrícola e pecuário bom para a agricultura, de modo geral. Ele observou, porém, que o crescimento do total de recursos disponibilizado é inferior ao aumento do custo de produção do setor.

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