Agência Estado
Do Rio
O Brasil pretende aumentar seu volume de pesca das atuais 735 mil toneladas por ano para 1,2 milhão de toneladas em 2003. O principal incremento será no setor da pesca oceânica, principalmente do atum, cuja quantidade deverá passar de irrisórias 5 mil toneladas por ano para 186 mil toneladas. O anúncio foi feito ontem pelo secretário executivo do Ministério da Agricultura, Márcio Fortes de Almeida, que apresentou um plano de ação para o setor durante a 16ª Reunião Extraordinária da Comissão Internacional para a Conservação do Atum Atlântico.
A outra etapa do projeto prevê incentivo à produção em água doce, no interior do País. O alvo são as pequenas e médias propriedades dos Estados do Sul e São Paulo, através de crédito para construção e ampliação de açudes destinados a criação de alevinos ou peixes adultos. O governo também quer incentivar a implantação de pequenas indústrias, através do associativismo.
A Reunião da Comissão Internacional para a Conservação do Atum Atlântico, reúne representantes de 26 países que discutirão, nos próximos dias, os critérios para o estabelecimento de cotas de captura de várias espécies de atum no Atlântico Sul para as próximas décadas. Em maio, em uma nova reunião, serão definidas as cotas. ‘‘Queremos ampliar nossa cota, e aumentar a pesca do atum tendo em vista, claro, o critério conservacionista’’, disse Almeida. Segundo ele, tudo o que o Brasil pesca, atualmente, representa apenas 0,5% do que é pescado em todo o mundo. ‘‘Vamos incrementar isso com o plano de ação.’’ O plano prevê ainda um aumento considerável na criação de peixes e moluscos em cativeiro, passando das atuais 87 mil toneladas por ano para 250 mil em 2003. Para estimular o aumento da produção, o governo está definindo incentivos fiscais que serão concedidos para atrair empresários para o setor da construção naval. ‘‘Não temos nada nessa área, é preciso, antes de tudo, retomar a indústria’’, disse Almeida.
Outro passo é estimular também a criação de cooperativas de produção e exportações. Com o plano, o governo espera que o setor, que gera 738 mil empregos diretos, passe a oferecer 905 mil. ‘‘Além desses, indiretamente, serão gerados 562.500 empregos’’, afirmou Almeida. A meta do governo é que o atual défcit de US$ 150 milhões entre as importações e exportações de pescado se transforme em um superávit de US$ 423 milhões em 2003.

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