O Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio anunciou ontem que o acordo emergencial negociado entre montadoras e o governo foi rompido, por iniciativa das montadoras, que insistiram em aumentar seus preços em 10%, na média. A decisão foi comunicada por meio de nota à imprensa. O documento informa, porém, que, da parte do governo, as portas ainda não estão definitivamente fechadas. ‘‘As empresas do setor têm dois dias para refletir’’, informa.
O impacto do rompimento do acordo sobre os preços finais dos automóveis deverá ser de 17% a 20%, segundo informou o ministério. Essa conta considera o aumento de 10% pretendido pelas montadoras, mais a volta do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) a seus níveis normais. Graças ao acordo inicial, a alíquota do IPI dos carros populares havia sido reduzida de 10% para 5% e a dos modelos de porte médio, de 25% para 17%.
O documento informa que o secretário de Comércio e Serviços, Hélio Mattar, ‘‘lamentou não ter sido bem sucedida a tentativa de se prorrogar o acordo emergencial que permitiu que o IPI e os preços dos automóveis fossem reduzidos nos meses de março e abril.’’
Na última quarta-feira, Mattar havia se reunido com o presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), José Carlos Pinheiro Neto, a quem havia pedido para não reajustar seus preços até o dia 26, prazo necessário para o governo ter uma avaliação segura dos impactos do acordo sobre sua arrecadação. A idéia de Mattar era prorrogar o acordo em outros termos, ou seja, as montadoras elevariam um pouco seus preços e o governo diminuiria o desconto nos impostos.
Pelo acordo original, as montadoras teriam de manter os preços até o dia 4 de maio, enquanto a redução do IPI iria até 17 de maio - originalmente, mas foi prorrogada até 26 de maio - e a do Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) iria até o dia 26 de maio.
‘‘É uma pena que as montadoras não se disponham a fazer um pequeno sacrifício, por 22 dias, período que poderia ser utilizado para se negociar com serenidade uma reformulação do acordo’’, disse o secretário.

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