Brasília - A segunda rodada de empréstimos para socorrer as distribuidoras de energia elétrica será de R$ 6,6 bilhões, informou ontem o secretário executivo do Ministério da Fazenda, Paulo Rogério Caffarelli. A operação já tem garantida a participação de sete bancos - Banco do Brasil, Caixa Econômica, Bradesco, Itaú, Santander, BTG Pactual e Citibank -, além do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Segundo Caffarelli, outros seis bancos pediram mais prazo para levar a seus comitês a proposta, e ainda podem entrar na operação.
O prazo para entrada de novos participantes é dia 15 de agosto, quando o dinheiro estará disponível às distribuidoras. O custo da operação - as taxas de juros que serão pagas pelas distribuidoras e repassadas ao consumidor em forma de encargo a partir de 2015 - será de 2,35% ao ano, mais o CDI. O primeiro financiamento, que colocou à disposição das distribuidoras R$ 11,2 bilhões, contou com uma taxa de CDI mais 1,9%. A operação tem carência até outubro de 2015. O pagamento deverá ser feito de novembro de 2015 a novembro de 2017. A Fazenda não estima impacto desse financiamento na inflação.

PROPORCIONAL
O BNDES propôs entrar na operação com R$ 3 bilhões, afirmou o secretário, negando que o banco público tenha ido ao socorro do setor por uma recusa dos bancos privados. Os outros R$ 3,6 bilhões da operação serão distribuídos entre os bancos seguindo a proporcionalidade do empréstimo anterior. Banco do Brasil e Caixa devem entrar, cada um, com R$ 750 milhões. Na primeira rodada, entraram com R$ 2,5 bilhões cada. Bank of America, Credit Suisse e JPMorgan são os bancos que participaram da primeira rodada e não confirmaram presença na segunda.
Como na primeira rodada de empréstimo, a garantia do empréstimo são os encargos cobrados pelas distribuidoras. Caffarelli garantiu que não haverá mais nenhum empréstimo ao setor elétrico neste ano e em 2015. "Não teremos mais operação de crédito com o setor elétrico em 2014 e não há previsão de nenhuma operação de crédito ao setor elétrico em 2015", afirmou.
O secretário não descartou a entrada do Tesouro em eventuais novos rombos no setor, mas destacou que há dinheiro que o Tesouro reservou para o setor elétrico que ainda não foi repassado. No orçamento do ano, está previsto o repasse de R$ 13 bilhões para o setor, para a Conta de Desenvolvimento Energético (CDE) mais especificamente. Até julho, R$ 6,45 bilhões desse dinheiro foi gasto. Segundo Caffarelli, é possível até que não seja necessário consumir todo o valor do empréstimo. Ele reforçou a posição do Ministério de Minas e Energia de que não há risco de racionamento de energia, e que apresentou esse panorama para os bancos quando se reuniram para tratar do financiamento.

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