ArquivoCorretivoApesar de necessário para corrigir a acidez do solo, o calcário ainda é pouco utilizado

BRASÍLIA - O ministro da Agricultura, Arlindo Porto, disse ontem que o governo vai abrir financiamento para a compra de calcário na próxima safra, pois entende que este é mais um componente para aumentar a produtividade da lavoura brasileira. Porto lembrou que é preciso estimular investimentos na modernização da agricultura para que o País consiga elevar a produção de grãos. Na avaliação do ministro, este será o ano da comercialização, em que o governo vai centrar esforços para que a safra estimada em 77,5 milhões de toneladas de grãos possa ser bem comercializada. ‘‘Já emprestamos efetivamente R$ 5,8 bilhões, sendo grande parte dos recursos com juros de 12% ano ano. As condições da agricultura hoje estão melhores que na supersafra de 1994/95’’, avaliou. O ministro não explicou como será o plano para o calcário.
O ministro disse ainda que o governo pretende estimular toda a produção em que o País não seja autosuficiente, e citou o exemplo da cevada, que passará a ser incluída entre as culturas que podem fazer EGF/SOV (Empréstimo do Governo Federal sem Opção de Venda). ‘‘Temos um consumo de 800 mil toneladas para uma produção de pouco mais de 200 mil toneladas’’, disse o ministro. Ele explicou que a idéia do governo é reduzir a importação, dando uma alternativa de renda ao produtor, já que a cevada tem mercado garantido.
O governo deverá destinar R$ 150 milhões para o custeio da safrinha de milho e cerca de R$ 250 milhões para a cevada e o trigo, que são culturas de inverno, anunciou Porto. Segundo ele, a safrinha de milho deverá aumentar de cerca de 2,3 milhões de toneladas para 3 milhões de toneladas.
Safra Porto confirmou ontem a segunda estimativa da safra 1996/97, que prevê a colheita de 77,5 milhões de toneladas de grãos e crescimento de 5,4% em relação à safra passada. Segundo a estimativa, feita pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), praticamente não haverá redução de área total plantada. Pelo levantamento, a área de soja deverá crescer 5,4% e a produção subirá 10,8%. A produção de algodão e arroz será reduzida em 20,9% e 5%, respectivamente. Haverá aumento de 6% na produção de milho e de 6,4% na de feijão.
O ministro lembrou que o crescimento da área de soja pode explicar a redução na expectativa do governo de uma colheita de 80 milhões de toneladas de grãos. É que a produtividade da soja é de 2.301 quilos por hectare (kg/ha), bem menor que a de milho, que atinge 3.315 kg/ha. ‘‘Quando se deixa de produzir milho para produzir soja, diminui o total de grãos na colheita’’, explicou.

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