Governo anuncia arrecadação recorde de impostos em maio
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quarta-feira, 13 de junho de 2001
Agência Estado De São Paulo 
A crise energética não teve reflexos na arrecadação dos impostos e contribuições federais em maio. Essa é a avaliação da Receita Federal, que anunciou ontem uma arrecadação recorde para o mês de maio de R$ 15,97 bilhões. Esse resultado representou um crescimento real (considerando a inflação do período pelo IGP-DI) de 10,21% sobre maio do ano passado e uma queda de 5,41% em relação a abril deste ano.
A arrecadação foi plenamente satisfatória e dentro do esperado, tanto que foi recorde histórico, avaliou o secretário-adjunto da Receita Federal, Ricardo Pinheiro. Para ele, o agravamento da crise energética do País, que forçou o anúncio de um plano de racionamento de energia no mês passado, não chegou a provocar queda na arrecadação. Ainda não existe efeito na arrecadação, disse.
Ricardo Pinheiro explicou que a queda de 5,41% em relação a abril é natural e não pode ser atribuída à crise energética, já que sazonalmente a arrecadação de maio é inferior. Em abril, ocorrem pagamentos da cota única ou primeira parcela do Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e do Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), que comprometem a comparação.
Segundo Pinheiro, é prematura qualquer avaliação agora sobre o impacto do racionamento na arrecadação. Pinheiro lembrou que a arrecadação do PIS/Pasep e da Contribuição para a Seguridade Social (Cofins) continuou crescendo em maio. Ele acredita que a arrecadação do PIS/Pasep e da Cofins será o melhor parâmetro para avaliar o efeito do plano de racionamento no desempenho das receitas federais. Isso porque essas contribuições, segundo ele, têm efeito direto no faturamento das empresas e uma eventual queda no ritmo de crescimento da economia estaria refletida no recolhimento.
Na avaliação do secretário, o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), que funciona sempre com um termômetro de avaliação do ritmo da atividade econômica, dessa vez não será um bom parâmetro. A arrecadação do IPI pode ficar mascarada devido à grande desoneração tributária promovida pela Receita em alguns produtos que economizam energia e ou ligados a sua produção.
Segundo os dados da Receita Federal, a arrecadação de maio, sem levar em conta a inflação do período, apresentou um crescimento nominal de 22,24%, sobre maio de 2000 e uma queda nominal de 5% em relação a abril deste ano. De janeiro a maio, a arrecadação soma R$ 78,52 bilhões, com crescimento real de 2,21% sobre o mesmo período de 2000.
A alta do dólar está favorecendo a arrecadação de alguns impostos. O Imposto de Renda (IR) sobre rendimentos do capital apresentou, em maio, um crescimento de 23,78% em relação ao mesmo período do ano passado. O motivo foi a elevada arrecadação das operações de swap decorrente da valorização do dólar frente ao real.
A arrecadação do Imposto de Importação (II) e do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) vinculado às importações também foi influenciada pela valorização de 25% da taxa de câmbio e elevação de 10% do valor, em dólar, das importações. As receitas provenientes do II cresceram 16,29% e as do IPI vinculado à importação, 8,56% sobre maio do ano passado. Também aumentou a arrecadação do IR sobre remessas ao exterior, que teve uma elevação de 23,92% em relação ao mesmo período do ano passado, refletindo uma alta de 18% da taxa de câmbio. A alíquota do IR para essas remessas é de 15%. Graças a Deus , para minimizar o problema da elevação do dólar, se paga imposto sobre isso, comentou.


