São Paulo A empresária Eliana Tranchesi, proprietária da megaloja Daslu, pode ser acusada, segundo a Polícia Federal (PF), por crimes de formação de quadrilha, falsidade material, ideológica e contra a ordem tributária. Ainda pesa sobre a empresária o possível crime de sonegação fiscal sobre o lucro da megastore de luxo. O superintendente da PF em São Paulo, José Ivan Guimarães Lobato, afirmou que a Operação Narciso, deflagrada ontem na Daslu, ''foi mais um golpe no crime organizado''. Ela e o irmão, Antonio Carlos Piva de Albuquerque, e o contador Celso de Lima, foram presos ontem durante a operação. Eliana foi liberada ontem à noite.
A operação cumpriu 33 mandados de busca e apreensão e quatro mandados de prisão temporária em São Paulo, Santa Catarina, Espírito Santo e Paraná. Participaram da ação 250 polícias federais nos quatro Estados e 80 auditores fiscais da Receita. Os mandados foram expedidos pela 2 Vara da Justiça Federal de Guarulhos.
De acordo com a investigação da PF, os produtos comercializados na Daslu eram comprados de empresas importadoras que subfaturavam o preço das mercadorias com o objetivo de reduzir a incidência do Imposto de Importação. O subfaturamento ocorria a partir da substituição da fatura comercial verdadeira por outra com preço inferior. O esquema também fazia com que o IPI sobre o material importado também ficasse reduzido.
De acordo com o procurador da República Matheus Baraldi Magnani, as investigações começaram há dez meses, com uma apreensão, no aeroporto de Cumbica, em Guarulhos, de mercadorias encomendadas do exterior pela Daslu. ''Dentro da carga apreendida, havia, entre outros produtos, pares de sapatos Gucci e bolsas. Havia notas fiscais falsas, mas também cópias de notas fiscais verdadeiras, que indicavam irregularidades naquela operação de compra de mercadorias do exterior'', explicou.
O procurador destacou que uma das empresas ''laranjas'' utilizada para as importações, a Multimport, apresentava prejuízo todos os meses, e, ao mesmo tempo, 95% das suas importações eram dirigidas para a Daslu. ''Não descartamos a hipótese de consultar procuradores nos Estados Unidos e juízes na Itália para averiguar em que condições eram realizadas as importações que a Daslu fazia de produtos fabricados naqueles países'', informou. De acordo com o procurador, uma empresa norte-americana, chamada Horacy , participava do esquema.
O procurador afirma que alguns vestidos vendidos pela Daslu por cerca de R$ 5 mil eram importados com valores declarados de ''US$10, US$15''. Segundo Magnani, gravatas da grife Hermenegildo Zegna, por exemplo, tinham valores declarados de apenas US$ 5.
Em seu depoimento à PF, ontem à tarde, Eliana Tranchesi disse desconhecer os procedimentos contábeis e fiscais de sua loja. Afirmou que se envolve diretamente apenas com o marketing da empresa.

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