Governo amplia beneficiados do seguro-desemprego extra
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quinta-feira, 21 de maio de 2009
Célia Froufe<br> Agência Estado 
Brasília - O Ministério do Trabalho quer triplicar a quantidade de beneficiados que receberão parcelas extras de seguro-desemprego ao terem perdido seus empregos na virada do ano por conta da crise financeira internacional. Normalmente, o trabalhador recebe de três a cinco meses de pagamento do seguro, mas com a medida, ele passa a receber de cinco a sete parcelas.
Na primeira fase deste programa, anunciada em março, foram beneficiados 103.707 trabalhadores, que saíram do mercado no mês de dezembro. Agora, no total, serão 320.207 trabalhadores que receberão o alongamento do recebimento dos recursos, já que ontem o ministro do Trabalho, Carlos Lupi, informou a inclusão do benefício para 216,5 mil novos desempregados.
Para os novos beneficiados será criada uma fatia de 73.360 seguros para os que perderam o emprego em janeiro e aumentado em 143.140 o número de empregados dispensados em dezembro - até então eram 103.707 trabalhadores. O valor estimado pelo ministério para o pagamento das parcelas adicionais anunciadas ontem é de R$ 263,762 milhões. A medida será encaminhada para aprovação pelo Conselho Deliberativo do Fundo de Amparo ao Trabalhador (Codefat) e a expectativa é de aprovação já na semana que vem.
Apesar do aumento do benefício, o ministro informou que dificilmente haverá nova prorrogação do pagamento de parcelas extras. Isso porque, segundo ele, os dados do mercado de trabalho medidos pelo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do próprio Ministério do Trabalho já estão positivos desde fevereiro. ''Em fevereiro, o resultado já foi positivo e continuará positivo até o final do ano. Esta será, portanto, a última etapa da concessão extra do seguro-desemprego.''
Setores
Os trabalhadores demitidos pelo segmento de Alimentação e Bebidas em dezembro do ano passado ou em janeiro deste ano serão os mais beneficiados pela prorrogação da ampliação do pagamento do seguro-desemprego.
Foram indicados ontem para receber as parcelas extras do benefício mais 216,5 mil trabalhadores que perderam o emprego em 22 setores, dos quais 45,290 mil são da área de alimentos. Em março, o governo contava com a ampliação do pagamento para apenas 103,707 mil profissionais.
No comércio varejista - segundo segmento mais beneficiado pela lista apresentada pelo Ministério -, contarão com as parcelas extras 38,304 mil trabalhadores que prestavam serviços em dezembro ou janeiro, quando foram desligados. Desses, 3,370 mil atuavam em Pernambuco; 12,180 mil, no Rio de Janeiro; 16,324 mil, em Minas Gerais, e 2,520 mil, no Distrito Federal.
Também merece atenção o setor da indústria metalúrgica, com a extensão do benefício a 24,927 mil trabalhadores do setor. Na primeira fase do projeto, anunciada em março para trabalhadores que perderam a vaga em dezembro, foram contemplados 13.441 desempregados (a maior parte deles, um total de 8,263 mil, atuava em São Paulo, e 4,061 mil, em Minas Gerais).
A partir de agora, a medida vale ainda para 4,681 mil trabalhadores que saíram do mercado em dezembro e para 19,695 mil que foram desligados em janeiro - com destaque, novamente, para os que atuam na capital paulista (9,249 mil).
Serão contemplados ainda com a medida desempregados da Agricultura (18,693 mil trabalhadores), Mecânica (13.468), Têxtil (12.622), Elétrica (11.372) e Química (10.476), entre outros setores.
O ministro adiantou ainda que levará para o Codefat na próxima semana um projeto de criação de linhas de crédito para incentivar a geração de empregos no valor de R$ 300 milhões. O setor de turismo será beneficiado com uma linha de R$ 200 milhões para capital de giro e investimentos, enquanto a renovação de frota de motocicletas para trabalhadores que as usem em serviço receberia R$ 100 milhões. Lupi ainda não divulgou as taxas, mas garantiu que seriam as mais baixas praticadas no mercado hoje.


