Governo ainda vai decidir se investiga o dumping
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quarta-feira, 18 de novembro de 1998
Mariângela Heredia Agência Estado 
O Ministério da Indústria, Comércio e Turismo (Mict) deverá decidir, ainda esta semana, sobre a abertura de investigação de dumping pedida pela Confederação Nacional da Agricultura (CNA) em setembro contra todas as empresas da Argentina, Uruguai, Nova Zelândia, Austrália e União Européia que exportaram leite em pó para o Brasil no ano passado. Se o pedido da CNA for aceito, o governo poderá impor tarifas compensatórias na importação de leite depois de 60 dias, prazo estabelecido pela Organização Mundial do Comércio (OMC) para que os países envolvidos na investigação possam se manifestar.
O presidente da Comissão Nacional de Pecuária de Leite da CNA, Paulo Bernardes, disse ontem que o setor aguarda a habilitação imediata do pedido de investigação de dumping, considerado a alternativa mais viável no momento para o combate às importações desleais e predatórias que ameaçam o setor leiteiro nacional.
Ele lembrou que, desde agosto do ano passado, a indústria e a produção de leite no Brasil estão lutando juntas contra as importações, mas os pedidos que fizeram ao governo acabaram não surtindo o efeito esperado. O preço internacional do leite em pó desabou de US$ 2.200 para US$ 1.200 (a tonelada) nos últimos seis meses e isso está arrebentando a produção nacional, afirmou Bernardes.
O presidente da comissão da CNA prevê que o desemprego no setor leiteiro poderá ocorrer em massa, caso novas medidas não sejam adotadas. Até outubro, as importações de leite em pó da Argentina alcançaram 147.235 toneladas, quase a metade da produção nacional de cerca de 300 mil toneladas.
Segundo ele, a sobrevalorização do real aliada à desvalorização das moedas da Nova Zelândia e da Austrália e ao aumento do subsídio às exportações na Europa estão provocando um dumping cambial, e colocando em risco 1,1 milhão de propriedades que produzem leite no País.
Ele reclamou da triangulação que continuaria ocorrendo através da Argentina, que resiste em adotar a mesma tarifa externa comum (TEC) fixada pelo Brasil em 33%.


