Governo adota PEP para escoar algodão
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segunda-feira, 23 de março de 1998
Agência Estado 
O governo anunciou ontem a realização de leilões de Prêmio de Escoamento de Produto (PEP) para o algodão a partir de abril. Através desses leilões, o comprador recebe um bônus na compra do produto nacional, sendo que o prêmio varia de acordo com a origem do produto. Segundo Benedito Rosa do Espírito Santo, secretário de política agrícola do Ministério da Agricultura, o objetivo é garantir o preço mínimo ao produtor.
Rosa afirmou que o governo lançará um contrato de opções para o algodão. O novo mecanismo deverá começar a funcionar também a partir de abril.
Técnicos da secretaria de Política Agrícola, Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), instituições financeiras e representantes da cadeia produtiva do algodão debateram ontem, na sede do Ministério da Fazenda em São Paulo, a comercialização do algodão. No encontro, o Rosa também anunciou que o governo fará correções no programa de Cédula do Produtor Rural (CPR) e de Empréstimos do Governo Federal Sem Opção de Venda (EGF Sov) para a indústria.
O prazo de entrega para as CPRs de algodão será estendido para 31 de julho a fim de permitir que produtores do Centro-Oeste se utilizem do mecanismo. O prazo anterior era 31 de maio.
Santo também informou que já está definida a alteração do objeto do penhor para o EGF SOV da indústria, uma velha reivindicação do setor têxtil. Atualmente a garantia é o algodão, o que obriga a indústria a amortizar o crédito no momento do consumo. No entanto, o governo deve publicar nos próximos dias uma norma transferindo o penhor para os fios e tecidos, o que permitira maior lastro nas operações da indústria.
O secretário afirmou que o grupo de medidas anunciadas ontem deverá impedir que o escoamento da safra brasileira ocorra de forma traumática. As medidas de financiamento teriam sido suficientes, não fosse a queda de demanda por algodão e a pressão das importações, disse.
Ele afirmou que as vendas do algodão brasileiro estão paralisadas em plena colheita. Os argentinos estão vendendo abaixo do preço mínimo, afirmou. A reação do mercado à linha do BNDES decepcionou o governo. De acordo com Santo, esperava-se maior demanda.
O presidente da Associação Brasileira do Algodão, Andrew McDonald, afirmou que a burocracia na liberação dos recursos do BNDES é considerada pela indústria como um gargalo na comercialização. McDonald também observou que os encargos da linha a tornaram cara. Com os custos envolvidos, a indústria tende a só usar a linha em último caso, afirmou o executivo.
McDonald afirmou que a indústria também quer que haja a possibilidade de utilizar simultaneamente os recursos do BNDES e do EGF SOV pela indústria têxtil. O BNDES serviria para financiar o juro da indústria, e o EGF, para administrar os estoques, observou.


