Arquivo FolhaModeraçãoGionédis diz que não acredita em ágio superior a 15% por causa da alta que as ações têm apresentadoO secretário da Fazenda, Giovani Gionédis, admitiu ontem que o governo do Estado pode vender todas as ações preferenciais (sem direito à voto) que dispõe da Copel. ‘‘Se for preciso para fechar as obras do governo, as ações preferenciais serão vendidas’’, afirmou, negando nesta afirmação, uma decisão política de alavancar obras no último ano e meio de governo que Lerner tem pela frente. ‘‘O governo está em obras desde que esta administração começou’’, rebateu.
Segundo ele, o governo detém hoje cerca de R$ 1 bilhão em ações preferenciais, aos preços de mercado. Isto representaria ainda hoje, afirmou Gionédis, 60% do bolo deste tipo de ações que o governo tem em seu poder. Em ações ordinárias - com direito a voto - o governo tem 60%, e com isso, é o acionista majoritário da Copel (Companhia de Energia Elétrica, classificada atualmente como sociedade de economia mista). As ações restantes - 40% das ordinárias e 40% das preferenciais - estão nas mãos de terceiros no mercado.
Gionédis considera ‘‘razoável’’ o aporte de recursos que a venda desses 8,3 milhões de ações vai resultar em retorno para o governo. Na prática, as ações da Copel estão funcionando como uma espécie de cofre extra para financiamento de obras, já que no orçamento do próximo ano o governo vai poder usar apenas 10% do total de R$ 7 bilhões previstos na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO).
Isso equivale a R$ 700 milhões para o ano todo. Os 90% restantes do orçamento de 98 estão atrelados a despesas constitucionais e folha de pagamento. Fora os recursos da Copel, o governo tenta um financiamento de R$ 250 milhões junto ao BNDES para um projeto na área de educação. A contrapartida do governo neste projeto é de R$ 100 milhões.
Baixo riscoInformação divulgada ontem pelo governo do Estado mostra que o Paraná e o Ceará foram os dois Estados que obtiveram as melhores notas numa classificação de risco (rating), feita pelo BNDES. A informação foi creditada ao economista Carlos Lavale, especialista em contas públicas do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas, que integrou o grupo responsável pela classificação.
Esta classificação serve de referência ao BNDES para definir as taxas cobradas nos empréstimos a governos estaduais e municipais. Os dados são considerados confidenciais e mostram que a taxa de risco de São Paulo é inferior à do Brasil. Os casos mais graves, segundo o economista, são do Rio de Janeiro e Minas Gerais.

mockup