Agência EstadoSem apertoO ministro Pedro Malan: governo não vai utilizar a CPMF para reduzir o volume de dinheiro em circulação nem baixará medidas de restrição à atividade econômicaO governo não adotará medidas de restrição à atividade econômica e tampouco utilizará a cobrança da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) como instrumento para reduzir o volume de dinheiro em circulação. O secretário de Política Econômica, José Roberto Mendonça de Barros, admitiu que o Banco Central poderá alterar os compulsório dos bancos (dinheiro que são obrigados a recolher ao BC) para evitar que a CPMF reduza a liquidez do sistema bancário. ‘‘É possivel que o BC faça um redesenho dos compulsórios para adaptar o mercado bancário à cobrança da CPMF’’, disse.
O efeito da CPMF na restrição do dinheiro em circulação, se não houver uma modificação agora, é decorrente do ‘‘mix’’ existente para os percentuais dos compulsórios. Atualmente, grande parte do dinheiro da conta corrente está aplicada nos fundos de curto prazo. Com a cobrança da CPMF, parte desse dinheiro deve voltar para a conta corrente, aumentando o volume dos depósitos à vista dos bancos.
A restrição viria pela diferença dos compulsórios dos depósitos de curto prazo (40%) e o de 75% que incide sobre os depósitos à vista. Assim, se aumenta o volume de depósito à vista, na mesma proporção também aumenta o total de dinheiro que o BC retira de circulação. A consequência é uma restrição maior na oferta de crédito, portanto, um freio na atividade econômica.
Mendonça de Barros admitiu que este ‘‘mix’’ poderá ser alterado, já que o desenho do compulsório está configurado para uma atividade no mercado bancário que não considerava a cobrança da CPMF. Ele disse que eventuais ajustes por parte do BC não devem ser interpretados como medidas de restrição ao crédito e aperto econômico.
‘‘Não tivemos, não temos e não teremos recessão’’, acrescentou o ministro da Fazenda, Pedro Malan. ‘‘Estamos entrando em 97 com uma taxa bastante razoável de crescimento econômico.’’ Malan manteve a previsão de que a economia vai crescer entre 4,5% a 5% este ano, considerando uma estimativa inicial de um PIB da ordem de US$ 800 bilhões.
Malan comentou, ainda, que a inflação de 96 - entre 9,12% e 10,03% dependendo do índice - corresponde à inflação que uma semana no primeiro semestre de 1994, no período que antecedeu a adoção do real. Ele afirma que este ano a inflação será ainda menor. ‘‘Será de um dígito e ainda menor’’.

mockup