Governo admite que exportação não vai crescer 20% este ano
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segunda-feira, 23 de julho de 2001
Agência Estado De Brasília 
A Câmara de Comércio Exterior (Camex) iniciou o trabalho de revisão da meta de crescimento de 20% das exportações neste ano. A iniciativa se deve à perda de fôlego dos embarques desde março, que chegou a um ponto crítico em julho. Nas três semanas deste mês, a balança comercial acumulou um déficit de US$ 71 milhões, com a mais baixa média diária de exportações desde janeiro de 2001. O saldo no ano, que havia alcançado equilíbrio até o final da primeira quinzena de julho, agora acumula saldo negativo de US$ 141 milhões.
Esse assunto está sendo avaliado pela Camex, admitiu ontem a secretária de Comércio Exterior, Lytha Spíndola, ao ser questionada sobre a revisão da meta. Eu acho que temos de trabalhar com realismo. Há fatos novos e temos de avaliá-los com base nos dados do semestre e de julho.
Segundo Lytha, a meta atual continuará válida até que a Camex decida se deve ser alterada. Ela, entretanto, reconheceu que o cenário para o comércio exterior em 2001 foi alterado por dados inesperados e que já estão provocando impactos nos fluxos nas compras e nas vendas. Entre eles, mencionou a crise energética, que tende a afetar as duas mãos do comércio; a redução da atividade econômica nos principais mercados de produtos brasileiros, como os Estados Unidos e a União Européia; as recentes medidas comerciais argentinas, que afetam os embarques de bens de capital e de itens de informática e de telecomunicações; e o agravamento da crise no país vizinho.
A preocupação da Camex se deve ao fato de que as exportações compõem indicadores do risco dos investimentos no Brasil. Um desempenho modesto dos embarques, e aquém das metas fixadas, tenderia a sinalizar problemas do País na geração de dólares e, portanto, para o pagamento de seus compromissos externos. As vendas de produtos brasileiros haviam aumentado 31,42%, em janeiro, em relação ao mesmo mês de 2000. Em fevereiro, caíram 0,97%. Março apresentou crescimento nas exportações de 15,54%. A partir daí, entrou em rota de recuo aumentos de 13,13%, em abril, de 6,00%, em maio, e de apenas 3,72%, em junho.
Os dados acumulados nas três semanas de julho mostram que as exportações somaram US$ 3,170 bilhões, com fortes quedas nas vendas de semimanufaturados, de manufaturas e de soja. A média diária de embarques, de US$ 211,3 milhões, corresponde a uma redução de 11,3%, em relação ao dado de julho de 2000. As importações totalizaram US$ 3,241 bilhões, com média diária de US$ 216,1 milhões 7,1% menor, na mesma comparação.
Os resultados do mês, entretanto, oscilaram a cada semana. Apesar de registrar um superávit de US$ 52 milhões no período, a balança indicou quedas de 12,4%, na média diária de exportações, e de 12,5% na de importações.
Na terceira semana, apesar de um déficit de US$ 153 milhões, verificou-se elevação nas exportações, principalmente nas de manufaturas. A média diária de embarques subiu para US$ 216,4 milhões.
As importações avançaram com mais força, por conta de desembarques de petróleo. A média diária de compras atingiu US$ 241,0 milhões no período.


