Governo admite que duas metas serão descumpridas
Agência Estado
De Brasília
Duas das metas previstas para este ano no acordo do Brasil com o Fundo Monetário Internacional (FMI) não deverão ser cumpridas, disse ontem o ministro-interino da Fazenda, Amaury Bier. O superávit primário (receitas menos despesas, exceto juros) do setor público consolidado (governos federal, estaduais, municipais e empresas estatais) ficará abaixo dos 3,1% do Produto Interno Bruto (PIB) projetados nas negociações com os técnicos do FMI.
Esse resultado, porém, só será menor do que o estimado se medido como proporção do PIB. Se considerada em reais, a meta será cumprida. Além disso, as contas brasileiras chegarão a dezembro registrando um endividamento do setor público acima do esperado, afirma o ministro-interino.
O descumprimento das duas metas não terá nenhuma consequência prática, garantiu Bier. O FMI já foi informado, já discutimos o assunto e decidimos deixar as metas tal como estavam, disse. Nenhum dos dois números constitui critério de performance, ou seja, eles não estão entre aqueles verificados para determinar se o Brasil está cumprindo ou não o acordo. Ambos têm um caráter meramente indicativo do desempenho da economia brasileira.
O acordo prevê que, até dezembro, o setor público terá registrado um superávit primário de R$ 30,185 bilhões, o equivalente a 3,1% do PIB. Bier informou que o valor em reais será atingido. É o que de fato importa, porque nosso compromisso é com o resultado em reais, explicou. No entanto, os R$ 30,185 bilhões não corresponderão a 3,1% do PIB, porque o PIB brasileiro ficará este ano maior do que o esperado.





