Governo admite proteção contra produtos da Ásia
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quinta-feira, 18 de dezembro de 1997
Agência Estado Brasília 
O governo está acompanhando com atenção os movimentos de preços dos produtos asiáticos, segundo informou ontem à Agência Estado o secretário de Assuntos Internacionais do Ministério da Fazenda, Marcos Caramuru. Estamos monitorando para ver de que maneira o equilíbrio que temos hoje em termos de tarifas e proteção comercial internacional podem ser afetados e utilizaremos os mecanismos à nossa disposição, explicou ele. Esses mecanismos, informou, são a elevação de tarifas e a imposição de direitos anti-dumping.
No momento, porém, o governo não tem nenhuma medida prestes a ser adotada, segundo Caramuru. Ainda não temos claro até que ponto esse movimento pode prejudicar o mercado interno ou mesmo a competitividade de produtos brasileiros lá fora, disse ele. Alguns assessores do ministro Pedro Malan acreditam que os preços baixos não serão mantidos por muito tempo. Eles acham que, se por um lado a desvalorização cambial deu aos produtos asiáticos mais competitividade, por outro provocará aumento da inflação. Como resultado, a taxa real de desvalorização das moedas ficará cada vez menor, anulando a vantagem nas exportações.
De qualquer maneira, temos de estar atentos porque esse movimento é consequência de uma crise com características diferentes das anteriores, disse Caramuru. Não somos só nós que estamos fazendo isso. Ele citou o exemplo do México, que elevou a tarifa sobre a importação de têxteis para algo em torno de 25%. Outros países também temem que os produtos asiáticos mais baratos acabem lhes roubando fatias no mercado.
A equipe econômica do governo decidiu acompanhar a movimentação de preços de perto quando notou que outros países já estavam adotando medidas de proteção. Vimos sinais de que poderia haver atitudes mais agressivas dos países exportadores, disse o secretário.
Para monitorar o comportamento dos preços das exportações asiáticas, os técnicos do Ministério da Fazenda vêm conversando com os importadores e as tradings. Também estão acompanhando os números do Sistema Integrado de Comércio Exterior (Siscomex) para verificar se houve algum aumento brusco nas importações.


