Arquivo FolhaPrevisãoBarros: ‘‘Pressão sobre preços será diluída a curto prazo’’As medidas de restrição às importações poderão pressionar os índices de inflação, admitiu ontem o secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, José Roberto Mendonça de Barros. ‘‘Em um primeiro momento, pode haver algum impacto nos preços’’, reconheceu. Ele ponderou, no entanto, que esta pressão adicional será diluída e não deverá comprometer a tendência de queda dos índices de inflação.
Mesmo que haja uma pequena elevação da inflação, no curto prazo, a expectativa do governo, segundo ele, é de uma reversão deste quadro, até porque as importações ficarão mais caras, o que garantirá maior competitividade do produto nacional. Até agora, os produtos importados chegavam com preço mais baixo e impossibilitava qualquer concorrência com o produto nacional, segundo o secretário.
Barros disse que, da mesma forma como é difícil medir, neste momento, qual será o impacto das medidas nos índices de preços, também é cedo para quantificar qual será o ganho da balança comercial, que este mês deve ter um déficit (importações superiores às exportações) de cerca de US$ 1 bilhão. Ele reconhece que as medidas garantirão uma redução no volume e nas despesas com as importações. ‘‘Mas este resultado só saberemos depois’’.
Abril Barros não quis, por exemplo, fazer uma previsão sobre o resultado da balança comercial em abril. ‘‘Ainda é cedo. É preciso ter calma’’. Insistiu nos argumentos do diretor de Assuntos Internacionais do Banco Central, Gustavo Franco, no sentido de que o governo optou por não adotar medidas protecionistas, mas sim eliminar o ganho financeiro dos importadores. A partir de abril, apenas as importações com prazo de financiamento superior a 360 dias ficam liberadas do depósito do valor da compra no momento do desembarque da mercadoria.
Esta decisão afeta diretamente 65% das compras brasileiras no exterior. Barros não quis nominar os setores que serão mais prejudicados. ‘‘Ainda não sabemos, com exatidão, quem compra o quê e qual o seu porte no mercado’’. Os técnicos, no entanto, deixam claro que a decisão do governo só deixa de fora as importações de bens de capital (máquinas e implementos), bem como as compras da Petrobras, as operações de draw back (importa matéria-prima e exporta o produto manufaturado). Assim, as importações de automóveis e de bens de consumo, que têm presssionado o déficit comercial, foram afetadas pela medida.
Os técnicos admitem que as montadoras não terão dificuldade para um financiamento de mais longo prazo ou mesmo financiamento direto com suas matrizes. O maior peso será sentido pelas importadoras independentes de automóveis. Ou seja, quanto maior o porte do importador e sua tradição, mais facilmente fugirá das novas regras.

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