Governo admite nova negociação com FMI
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segunda-feira, 23 de julho de 2001
Agência Estado De Brasília 
O governo brasileiro começa a discutir amanhã em Washington um novo acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI) em cima das metas básicas já definidas para a economia no próximo ano. No entanto, a missão oficial não descartará a ampliação da meta do superávit primário (o saldo das receitas em relação às despesas, sem considerar os juros da dívida pública), prevista em 3% do Produto Interno Bruto (PIB) para a União, Estados, municípios e estatais.
Outro parâmetro que os negociadores tomarão nas reuniões será a meta de inflação no próximo ano, de 3,5%, com variação de mais dois pontos porcentuais para cima ou para baixo. As negociações agendadas para esta semana serão em nível técnico, pois uma decisão que resultará na liberação de um novo empréstimo ao País ainda terá de passar pelo crivo dos ministros da área econômica, do presidente Fernando Henrique Cardoso e da direção do Fundo.
As conversações nos Estados Unidos serão comandadas pelos secretários-executivo dos ministérios da Fazenda e Planejamento, Amaury Bier e Guilherme Dias, respectivamente. Também farão parte da missão confirmada oficialmente ontem o secretário de Assuntos Internacionais da Fazenda, Marcos Caramuru, e o chefe-adjunto da assessoria econômica do Planejamento, Hélio Tollini. A assessoria de imprensa do Ministério da Fazenda avisou ontem que nenhum integrante da missão concederá entrevista antes de embarcar aos Estados Unidos e nem durante as negociações.
O silêncio do governo em torno da continuidade de um programa com o Fundo por meio da prorrogação do atual ou de um novo acordo se deve a vários motivos. O principal deles é que o governo quer pagar o menor custo político pela renovação do programa com o Fundo e, por isso, os negociadores oficiais vão dispostos a conseguir as melhores condições possíveis para o País.
Ao mesmo tempo que reconhece a necessidade de continuar tendo o aval do FMI para isolar o Brasil da crise argentina e dar tranquilidade ao processo sucessório em 2002, o governo sabe que a prorrogação do acordo será utilizada pela oposição contra o candidato oficial à sucessão do presidente Fernando Henrique Cardoso.
Outro dilema é onde cortar gastos para fazer o ajuste adicional nas finanças públicas. O Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão vem defendendo que o ajuste fiscal possível em 2002 é aquele previsto na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), de 3% do Produto Interno Bruto (PIB) para União, Estados, Municípios e estatais, o equivalente a R$ 31,6 bilhões. Porém, os negociadores não descartam totalmente a possibilidade de um ajuste adicional no próximo ano e de novos cortes no Orçamento deste ano.
O presidente do Banco Central, Armínio Fraga, também participará de reuniões com o FMI na viagem que fará entre hoje e sexta-feira aos Estados Unidos.


