Governo admite incertezas e teme repique da inflação
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 29 de março de 2001
Agência Estado De São Paulo 
A ata da última reunião do Comitê de Política Econômica (Copom), quando a taxa de juro subiu 0,25% para 15,75%, revelou que o nervosismo do mercado de câmbio desde o início do mês não era infundado. No texto, o governo admite que o cenário externo suscita incertezas em relação à inflação o que não fazia parte do discurso oficial. Além disso, o documento indica a percepção de que crescimento econômico e dólar em alta são imcompatíveis. Com a confirmação das previsões pessimistas, depois que a taxa de juro subiu, o mercado não descarta novas altas dos juros.
No relatório, o BC destacou que a soma da variação do IPCA no primeiro bimestre (de 0,4%, ante expectativa de 0,2%) e a estimativa de reajuste de preços administrados de 6,5% ao longo do ano, ante os 8,5% anteriores resultava em 2,4%, ou 60% da meta de 4% do ano.
Para analistas, ficou explícito que o crescimento econômico acompanhado por recuperação do emprego e oferta de crédito resultaria em um maior repasse do aumento do preço do dólar para a inflação. Isso só não ocorreu ao longo de 1999, quando o câmbio passou a flutuar, porque a economia estava em recessão.
Na ata, o governo deixou claro que o resultado insatisfatório da balança comercial também preocupa. O documento mostra que a demanda aquecida está pressionando importações, que geram déficit comercial e pressionam ainda mais o câmbio. Isso tem um efeito na inflação, cita o economista-chefe do Inter American Express, Marcelo Allain.
TJLPO Conselho Monetário Nacional (CMN) decidiu ontem manter a Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP) para o 2º trimestre de 2001 em 9,25% ao ano. Segundo o diretor de Normas do Banco Central, Sérgio Darcy, a permanência da TJLP em 9,25% deve-se ao aumento do risco do Brasil de médio e longo prazo.
No cálculo da TJLP para o segundo trimestre, a taxa de inflação em 12 meses caiu para 3,875%, referente a uma média calculada de 4% para nove meses e 3,5% para três meses. Já o prêmio de risco aumentou para 5,375%, fazendo com que a taxa permanecesse no mesmo nível do primeiro trimestre. Darcy atribuiu o aumento do risco à economia internacional, a países emergentes e à Argentina.


