Governo admite desaceleração na economia
PUBLICAÇÃO
sábado, 12 de dezembro de 1998
Agência Estado 
O secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Amaury Bier, admitiu ontem que a economia brasileira está em desaceleração. Ao divulgar boletim sobre a atividade econômica referente ao meses de outubro e novembro, Bier atribuiu a desaceleração à crise internacional. As razões do desaquecimento foram a crise, a moratória da Rússia e a reação que o governo teve que adotar, afirmou o secretário referindo-se à elevação dos juros. De acordo com o boletim, a tendência de retração é clara e a melhoria das condições econômicas só deverá ocorrer no terceiro trimestre de 99.
Para o secretário, no entanto, os primeiros sinais de recuperação já poderão começar a aparecer no final do segundo trimestre. Ele admitiu que o primeiro trimestre de 99 será ruim. E explicou que este período vai ser o rescaldo das dificuldades deste final de ano. Para este Natal, Bier prevê festa com produtos baratos. Não creio que haja tempo para a recuperação das vendas de bens de maior valor, como fogão, geladeira, afirmou.
O impulso inicial para a retomada da economia, segundo o boletim do Ministério da Fazenda, deverá ocorrer a partir das vendas de produtos de baixo valor unitário. Como bebidas, alimentos, brindes, vestuários, tecidos, calçados, farmácias e perfumarias. Ou seja, bens semi-duráveis e não-duráveis. Sobre os bens duráveis, como eletrodomésticos e eletroeletrônicos, a expectativa do governo é de uma recuperação mais lenta. A tendência, segundo o boletim, é o consumidor esperar uma queda mais acentuada dos juros para comprar os bens mais caros.
Todo o cenário traçado pelo Ministério da Fazenda para a recuperação da economia, no entanto, tem como base um bom desempenho não só das medidas do ajuste fiscal, mas também das condições internacionais. E, ainda, a manutenção da trajetória de queda dos juros. Segundo consta do boletim, não podemos perder de vista que estamos intrinsecamente ligados ao desempenho do mundo e, sobretudo, das economias vizinhas. Na avaliação do governo, é preciso que o ajuste fiscal torne-se inequivocamente crível para que haja reabertura gradual dos mercados internacionais.
No segundo semestre do próximo ano, o secretário de Política Econômica prevê que as empresas brasileiras já deverão voltar a tomar recursos no exterior com taxas de juros mais baixas. Ele disse ser possível até mesmo o Tesouro Nacional voltar a lançar bônus no exterior dando um parâmetro de taxas para o setor privado.
Com base em dados do IBGE, o boletim indica que, nos doze meses encerrados em outubro, a indústria, em todo o País, acumulou uma retração de 2,3%.


