Governo admite Brasil fora da Alca
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quinta-feira, 09 de maio de 2002
Agência Estado 
Rio - A Área de Livre Comércio das Américas (Alca) pode não sair do papel ou pode ser criada sem alguns países, entre os quais o Brasil. Essas possibilidades foram admitidas ontem pelo ministro do Desenvolvimento, Sérgio Amaral, que fez a palestra de encerramento do XIV Fórum Nacional, realizado no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Estamos diante de uma realidade em que é possível que não exista Alca, mas que existam acordos bilaterais e multilaterais com outros países latino-americanos, disse.
O ministro explicou que o Brasil continua trabalhando para a Alca e considera que teria importantes oportunidades para o País. Mas ressaltou: Precisamos admitir a hipótese de que a Alca não seja concluída ou que a Alca constituída não seja aquela que atenda aos nossos interesses. Em outro momento, o ministro afirmou que, se a Alca não atender aos interesses brasileiros, o Brasil não vai participar.
Segundo Amaral, houve uma mudança de posição política dos países e hoje aparentemente os Estados Unidos parecem ter mais dificuldades para pôr as questões reais sobre a mesa do que o Brasil. Ele citou que o Brasil e a Argentina são os maiores exportadores agrícolas do continente para os Estados Unidos. Mas quase todos os produtos agrícolas estão na lista de exceções do TPA (Trade Promotion Authority, que dá ao Executivo norte-americano autorização para negociar acordos de comércio exterior).
Amaral disse também que houve uma mudança de preocupações dos países e que se vê mais no Brasil setores que têm melhores condições de competir e de se beneficiar e nos Estados Unidos se vê mais setores que estão se valendo de medidas protecionistas, e fechando o mercado em setores como aço e agricultura.
O ministro de Relações Exteriores, Celso Lafer, que abriu o painel de ontem do Fórum Nacional e não estava presente durante a palestra de Amaral, também condenou o protecionismo americano, assim como o da União Européia. Deve-se notar que essas manifestações de caráter protecionista exercem efeito negativo sobre os processos negociadores, na medida em que abalam a política de confiança inerente a esses mesmos processos, disse Lafer. Com essa possibilidade de ficar fora da Alca, é fundamental que o Brasil esteja em todas as mesas de negociação, segundo Amaral.
Nesse sentido, o ministro do Desenvolvimento defendeu que o Mercosul continue negociando acordos bilaterais e multilaterais dentro do continente, como o que foi fechado recentemente com o Chile, o acordo que, segundo ele, sairá em poucas semanas com o México e o que está em preparação com o Pacto Andino. Amaral não mencionou, mas o Brasil está negociando um acordo também com o Canadá, parceiro dos Estados Unidos e do México no Acordo de Livre Comércio da América do Norte (Nafta). No entanto, ao se referir ao acordo com o Canadá, o ministro de Relações Exteriores, Celso Lafer, disse que o mercado canadense é importante, mas não tem a amplitude dos mercados da União Européia e dos Estados Unidos


