Governo admite acelerar desvalorização
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quarta-feira, 24 de setembro de 1997
Agência Folha Brasília 
O secretário de Política Econômica, José Roberto Mendonça de Barros, afirmou ontem que a moeda brasileira deverá sofrer desvalorização real de 2,8% ou 3,5% em relação ao dólar entre agosto e dezembro. Se a banda cambial continuar a deslizar da mesma forma, a inflação mantiver baixa e não houver aumento de preços no exterior, a desvalorização real será de 2,8% ou de 3,5%, afirmou Mendonça de Barros, durante a divulgação do Boletim de Acompanhamento Macroeconômico de agosto.
Isso significa que essa é a previsão do governo para o caso de não haver imprevistos na política econômica. A desvalorização cambial estimula as exportações. Isso permitiria a melhora da rentabilidade principalmente de produtos agrícolas. Mas só depois de plantar e colher a nova safra, completou. No cálculo da desvalorização, a secretaria levou em conta a previsão de que os preços ao consumidor e no atacado continuem caindo no segundo semestre, mesmo com a entressafra agrícola e com a entrada das coleções primavera-verão no comércio.
A expectativa é que, no ano, a taxa de inflação oscile entre 5% e 7%. A secretaria também partiu do pressuposto que o Banco Central vai manter a desvalorização nominal mensal da moeda e que a inflação nos Estados Unidos não vai apresentar sobressaltos no segundo semestre. Embora Mendonça de Barros tenha minimizado os efeitos da desvalorização do real sobre as exportações, esse fato deverá provocar encarecimento dos itens importados.
Isso significa que pode ser considerada uma leve redução da demanda por importados no segundo semestre - período no qual tende a aumentar a entrada de produtos estrangeiros. O secretário informou também que a quantidade de dinheiro em circulação (base monetária) diminuiu R$ 2,3 bilhões em agosto, em comparação com o mês anterior.
RecessãoA queda dos preços registrada nos últimos dois meses, aliada à diminuição da produção industrial, pode significar uma desaceleração da economia com vistas a um cenário de recessão a longo prazo. A preocupação foi apontada pelo Instituto Brasileiro de Economia (Ibre), da Fundação Getúlio Vargas e será tema da Carta do Ibre da revista Conjuntura Econômica em outubro.
O economista Lauro de Faria diz que três fatores causaram a queda da inflação em agosto: o fenômeno climático El Ni¤o, que amenizou a baixa temperatura, antecipando as liquidações do comércio; o crescimento da safra agrícola, impactando positivamente nos preços agrícolas; e diminuição nos preços dos produtos industriais.


