Governo adia vencimento de dívidas
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quarta-feira, 10 de agosto de 2005
Fabíola Salvador<br>Agência Estado 
Brasília O ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, afirmou ontem que foi fechado um acordo com a área econômica do governo para adiar o vencimento das parcelas das dívidas de custeio da safra 2004/05. Em vez de pagar entre julho e outubro deste ano, as os agricultures quitarão suas dívidas em março e abril de 2006. Serão beneficiados pela medida os produtores de arroz, soja, algodão, milho, trigo e sorgo do Sul do Maranhão, Tocantins, Piauí, Triângulo Mineiro, Bahia, do Centro-Oeste e também da Região Sul do País, informou ele. O adiamento do prazo foi uma das reivindicações do ''tratoraço'' realizado em junho passado. O pleito foi atendido porque bancada ruralista no Congresso impediu a votação da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2006.
O acordo, que era aguardado com ansiedade pelos produtores, estava sendo negociado desde o final do mês passado, quando Rodrigues e o ministro da Fazenda, Antonio Palocci, decidiram retirar voto que tratava da prorrogação das dívidas de custeio da reunião do Conselho Monetário Nacional (CMN). O voto só beneficiava os produtores da Bahia e do Centro-Oeste.
De acordo com Rodrigues, o Conselho Monetário Nacional (CMN) fará uma reunião extraordinária ainda esta semana para ratificar o acordo. Ele lembrou que o vencimento das parcelas tem datas diferenciadas de acordo com a região. No caso do Centro-Oeste as duas primeiras parcelas vencem em julho e agosto. No caso dos produtores de algodão da Bahia, os vencimentos acontecem em setembro e outubro. Independente da data de vencimento, o pagamento das parcelas ficará para março e abril de 2006.
Cálculos do ministro Rodrigues indicam que o valor total da prorrogação poderá chegar a R$ 1,9 bilhão. No entanto, Rodrigues lembrou que muitos produtores estão pagando seus débitos, por isso é impossível calcular nesse momento o montante que será prorrogado. Ele lembrou que as dívidas a serem pagas voltarão para custear a safra do próximo ano.
No caso do trigo, acrescentou, os produtores já tinham sido beneficiados com a rolagem da parcela da dívida que venceu em junho.
Dessa forma, o acordo com o Ministério da Fazenda permitirá que os produtores de trigo paguem no ano que vem as parcelas que vencem em julho e agosto.
Rodrigues aproveitou para dissociar, mais uma vez, a crise política das dificuldades enfrentadas pelos agricultores. Segundo ele, a crise política não dificultou as negociações. ''A crise agrícola é anterior à crise política. Estamos administrando a crise da agricultura à margem da crise política'', avaliou. O ministro participou na tarde de ontem de reunião com o setor sucroalcooleiro na sede do Inmet em Brasília.


