Governo adia privatização da Sanepar
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sexta-feira, 12 de janeiro de 2001
Carmem Murara De Curitiba 
O governo do Estado afirmou ontem que decidiu adiar por tempo indeterminado a privatização da Sanepar até que as regras do setor de saneamento urbano e esgoto estejam mais definidas no País. A intenção de vender a empresa havia sido anunciada há cerca de dois anos pelo próprio governador Jaime Lerner, que ontem voltou atrás e negou a intenção de venda. Não está em cogitação a venda da Sanepar. As atenções estão voltadas para a Copel, se limitou a declarar. A privatização da Sanepar está incluída no plano de ajuste fiscal que o governo do Estado assinou com o governo federal.
No programa de ajuste, o Estado se comprometeu a vender a Copel e a Sanepar para injetar o dinheiro no saneamento das finanças estaduais. Segundo o secretário do Planejamento, Miguel Salomão, descumprir o que está no acordo referente à Sanepar não implicará em sanções por parte do governo federal.
O governo federal sabe que quando indicamos bens passíveis de privatização tem que haver um arcabouço legal, afirmou Salomão. Ele explicou que o governo estadual decidiu recuar ao perceber que primeiro é necessário definir melhor as leis federais que regulamentam a exploração e concessão de água.
O governo federal deverá encaminhar ao Congresso, nos próximos dias, projeto de lei que define as competências pela exploração dos recursos hídricos. Uma das propostas é dar mais poder aos estados para que eles se tornem o poder concedente em regiões metropolitanas. Hoje, a concessão pertence aos municípios, que costumam dar aos estados a exploração do sistema de água e esgoto.
É assim que funciona hoje na Sanepar, empresa que teve lucro líquido de R$ 100 milhões entre janeiro e setembro de 2000. A empresa detém a concessão em 342 municípios. Ela atende com água a 7,5 milhões de habitantes, isto é, 99% de cobertura. São 3 milhões de paranaenses atendidos com esgoto, ou seja, 40% de cobertura.
Outro ponto que fez o governo recuar na privatização foi a falta de um órgão fiscalizador atuante no País e no Estado. A Secretaria do Planejamento está finalizando um projeto de lei que prevê a criação de uma agência reguladora, como há hoje no cenário nacional com a Anatel (telefonia) e Aneel (energia elétrica). O projeto chegará na Assembléia Legislativa em meados deste ano.
Defensor da privatização, Salomão admite que as empresas de água e esgoto são diferentes das demais. Água é um monopólio natural. Para privatizar o setor tem de haver um órgão fiscalizador muito forte, afirma, ao reconhecer que o País pode passar de um monopólio estatal para um privado. Após o setor se definir, o estudo da privatização poderá ser retomado.


