O Conselho Interministerial do Álcool (Cima) adiou a decisão sobre o aumento da mistura do álcool anidro na gasolina e sobre o incentivo ao aumento da frota de carros a álcool. Os nove ministros que fazem parte do conselho decidiram ontem que só vão autorizar as medidas quando a indústria automobilística apresentar documentos atestando que o aumento da mistura de anidro não causará danos aos veículos. Outro complicador: o governo quer a troca de veículos com mais de dez anos de uso por carros a álcool mais baratos. ‘‘Isto tem que ser feito com cautela’’, lembrou Dornelles. ‘‘Não podemos correr o risco de haver uma demanda maior do que o álcool que temos para fornecer.’’
Sobre o incentivo à frota de carros a álcool, o governo quer que a indústria informe quais serão os descontos que poderão ser dados no preço dos veículos. ‘‘As empresas devem dizer qual a possibilidade de oferta de carros a álcool e a redução de preços que propõem’’, disse o presidente do Cima, o ministro da Indústria, Comércio e Turismo, Francisco Dornelles.
O governo admite que também não sabe ainda de quanto poderia ser a redução dos impostos federais e estaduais nos preços dos veículos. A proposta do MICT era a redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS).
Segundo Dornelles, o Cima determinou que sejam feitos os estudos sobre esta redução, para que não haja impacto na arrecadação do governo federal e dos Estados. Ele não informou quais seriam outras possíveis fontes de recursos para custear esses incentivos.
Revitalização O Cima foi criado em agosto passado para propor a revitalização do Programa Nacional do Álcool (Proálcool). A preocupação dos produtores de álcool é escoar os 2 bilhões de litros do produto em estoque.
De acordo com Dornelles, o aumento de dois pontos percentuais na mistura da gasolina seria capaz de aumentar a demanda em 500 milhões de litros. ‘‘O governo está interessado em aumentar esta mistura’’, afirmou Dornelles. ‘‘Mas o setor privado deve se manifestar de maneira clara e precisa no sentido de que esta mistura não irá criar danos aos consumidores.’’
A manifestação da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) sobre a mistura era aguardada para antes da reunião do Cima. ‘‘Mas isto não ocorreu’’, disse o ministro. ‘‘A impressão que tenho é que a indústria está dividida.’’

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