O presidente Fernando Henrique Cardoso tomou conhecimento ontem da maior parte das medidas de ajuste fiscal preparadas para 1999, mas preferiu não anunciar nada nesta semana. O anúncio das medidas ficou para depois das eleições. FHC também adiou de hoje para a próxima semana a reunião com os líderes de partidos aliados no Congresso para divulgar o pacote fiscal.
Oficialmente, o adiamento foi pedido pelo líder do PFL na Câmara, Inocêncio Oliveira (PE), que havia articulado a reunião com FHC. Um dos motivos para a mudança da data é a realização do segundo turno das eleições no próximo domingo. Líderes temiam que algum item do pacote pudesse alterar os resultados eleitorais nos 12 Estados, além do Distrito Federal, onde ainda há disputa.
O porta-voz da Presidência da República, Sergio Amaral, disse ontem que, no início da semana que vem, FHC vai conversar com os líderes do governo no Congresso sobre o ajuste fiscal. Em seguida, caberá ao ministro da Fazenda, Pedro Malan, fazer o anúncio final, afirmou Amaral.
O ministro Malan passou o dia de ontem em reuniões para acertar detalhes do conjunto de medidas que o governo irá anunciar para ajustar as contas públicas nos próximos três anos.
Durante a manhã, ele esteve por quase duas horas com o presidente Fernando Henrique Cardoso no Palácio da Alvorada. O ministro almoçou com o diretor de Política Monetária do Banco Central, Francisco Lopes, que também participou de todas as reuniões da área econômica para discussão das propostas. Lopes defende que a maior parte do ajuste seja conseguida por meio de aumento de impostos.
Na parte da tarde, Malan recebeu o presidente do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), André Lara Resende, que foi o responsável pela elaboração das propostas de regulamentação da reforma da Previdência.
No final do dia, eles foram juntos para o Palácio do Planalto e entregaram as medidas ao presidente da República. Depois, Malan participou da reunião da Câmara de Política Econômica, que acontece toda terça-feira à tarde. Durante o dia, Malan também falou por telefone com o secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Pedro Parente, que estava em Washington negociando as medidas do programa fiscal com o FMI (Fundo Monetário Internacional).
O presidente do Senado, Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), afirmou que FHC vai enviar o pacote ao Congresso na segunda ou terça-feira da próxima semana, depois de discutir as propostas com os líderes partidários. Segundo ACM, isso não significa adiamento da divulgação das medidas. ‘‘Acho que vocês estão interpretando mal as palavras do presidente. Ele disse que receberia as medidas da equipe econômica no dia 20. Evidentemente, quando o presidente recebe, ainda vai examinar’’, afirmou.
Para ACM, o mercado financeiro também está esperando que as medidas sejam divulgadas apenas na próxima semana. O senador lamentou o atraso no encaminhamento da nova proposta orçamentária ao Congresso.

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