Governo acena com reajuste de combustível
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quinta-feira, 09 de agosto de 2012
Fábio Galiotto <br> Reportagem Local 
O ministro das Minas e Energia, Edison Lobão, afirmou ontem que há possibilidade real de reajustar o preço dos combustíveis na bomba neste ano, o que já era esperado no mercado paranaense. Pelas declarações de representantes do governo federal e da Petrobras nos últimos meses, a medida parece inevitável por conta da defasagem no preço do produto revendido no País frente o importado pela estatal.
O provável reajuste deve ter efeitos a curto prazo na demanda do etanol, o que também pode gerar inflação no preço do combustível produzido no Brasil. Além disso, como o País usa tradicionalmente o transporte rodoviário de cargas, outros produtos devem sofrer aumento de preço.
Delegado do Conselho Regional de Economia (Corecon) em Londrina, o professor Laércio Rodrigues da Silva afirma que o reflexo em produtos em geral, porém, deve durar até dois meses. ''Em um primeiro momento devemos sentir o aumento, mas depois estabilizará porque a inflação do combustível não deve ser contínua.''
Como contrapartida, Silva lembra que o governo propôs a redução da tarifa de energia elétrica, o que pode baixar o percentual de inflação. Por isso, ele não acredita em queda no consumo ou interferência no mercado de trabalho. Ainda, o economista afirma que há a possibilidade de a União diminuir alíquotas para evitar que o aumento de preço chegue ao consumidor. ''Mas o governo tem orçamento previsto e não pode prejudicar a receita demais ao cortar impostos.''
O próprio ministro citou ontem o fato. Lobão disse que, no ano passado, o governo suspendeu a cobrança da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide) sobre o combustível para o aumento não chegar na bomba, mas a iniciativa não compensou o prejuízo. ''O governo gostaria que esperasse um pouco mais (para reajustar o combustível), porém, a necessidade é tão grande que o governo pode vir a ceder'', ponderou, ao citar prejuízo da Petrobras, divulgado no último dia 3.
A presidente da estatal, Graça Foster, disse anteontem que a defasagem entre o preço da gasolina no País e no exterior não foi o único motivo para o deficit de R$ 1,3 bilhão da companhia no segundo trimestre do ano. Ela culpou o impacto do câmbio e as paradas programadas na produção como principais causas, entre outras, para o primeiro resultado negativo da companhia em mais de 13 anos. Porém, Lobão afirmou que não há outra forma de socorrer a empresa.
Sem definição
O economista Laércio Silva diz que há especulações de que o aumento de combustíveis chegaria a 10%, mas o ministro informou que as pastas da Fazenda e das Minas e Energia ainda determinarão o percentual.
O Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE) calculou a defasagem entre os preços dos combustíveis da Petrobras e os no exterior em 24,5% para o diesel e 23,1% para a gasolina. A conta foi feita após os reajustes anunciados pela Petrobras nos últimos dois meses. Em 25 de junho, a estatal reajustou a gasolina em 7,83% e o diesel em 3,94%). No dia 16 do mês seguinte, o diesel teve novo aumento, de 6%.
Lobão afirmou que o reajuste contribuirá com o mercado de biocombustíveis. ''Precisamos ajudar o etanol porque temos necessidade de produzir cada vez mais e os produtores se queixam dos preços que são muito baixos, em razão exatamente do preço da gasolina.'' (Com Agências)



