Brasília - O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Miguel Rossetto, confirmou ontem que o governo federal criará uma mesa de negociação entre os caminhoneiros que fazem protestos no País e os empresários para "avançar na questão do preço do frete". A mesa vai agrupar sindicalistas dos caminhoneiros, empresários e ministros. "Nós estamos instalando amanhã (hoje) e coordenando uma mesa de negociações, de diálogo, entre empresários, representantes das lideranças dos caminhoneiros, às 14 horas, para que possamos, num ambiente de negociação direta, avançar na solução do preço do frete no nosso País", disse.
A decisão ocorreu após reunião entre ele, o titular do Ministério dos Transportes, Antônio Carlos Rodrigues, e o secretário-executivo do Ministério da Justiça, Marivaldo Pereira. No encontro, ficou acertado que o Palácio do Planalto colocaria uma nova fórmula de preço para o frete como carro-chefe da articulação para debelar o bloqueio de rodovias pelos caminhoneiros. "Nós estamos muito confiantes de que possamos voltar à normalidade e recuperar um ambiente positivo de diálogo e de solução de grande parte da pauta levantada pelos caminhoneiros do nosso País", disse.
Rossetto também disse "sim, sim" ao ser questionado se a presidente Dilma Rousseff havia tratado do tema com empresários ontem. Ela manteve agenda com o presidente do Conselho de Administração do Grupo BRF, o empresário Abílio Diniz; o presidente da Fiat Chrysler Automobile para a América Latina, Cledorvino Belini; e se reúne ainda com o presidente da Câmara de Políticas de Gestão, Desempenho e Competitividade, do Conselho de Governo, Jorge Gerdau. O protesto dos caminhoneiros foi o tema central. "O governo tem mantido diálogo permanente com as lideranças dos caminhoneiros e as lideranças empresariais", disse.
Segundo o ministro, o governo busca preservar o abastecimento para evitar prejuízo à já combalida economia em meio aos protestos. "O governo tem tomado todas as medidas para evitar a obstrução das nossas rodovias, garantindo assim o abastecimento da sociedade brasileira e evitando prejuízos a nossa economia. Ao mesmo tempo, o governo tem estimulado uma negociação direta entre empresários e lideranças dos caminhoneiros para resolver a questão do preço do custo do frete, que afinal é o tema central dessas manifestações.
O governo não pretende atender um dos principais itens da pauta de reivindicações dos caminhoneiros: a redução do preço do diesel. Os trabalhadores bloqueiam rodovias em todo o País em protesto à decisão do Palácio do Planalto de ampliar a tributação incidente sobre combustíveis (Pis/Cofins e Cide). A alta no preço do diesel, de R$ 0,15 por litro, deve reforçar o caixa com R$ 12,18 bilhões em 2015. "Não está na pauta do governo a redução do preço do diesel neste momento", afirmou Rossetto.
O pedido dos caminhoneiros para renegociar dívidas de financiamento de caminhões será debatido na reunião de hoje, que acontecerá no Ministério dos Transportes. "O BNDES já está analisando essa reivindicação de prorrogação desses financiamentos para os caminhões", indicou.

Desbloqueio

Ontem, a Justiça Federal no Rio Grande do Sul e em Minas Gerais determinou de rodovias paralisadas pelo protesto de caminhoneiros. A decisão é a primeira a atender pedido da Advocacia-Geral da União (AGU), que na noite de segunda-feira ajuizou ações em sete Estados, incluindo o Paraná, para solicitar a liberação das rodovias federais. Na decisão da Justiça do Rio Grande do Sul foi fixada multa de R$ 5 mil por hora de permanência não autorizada dos manifestantes nas pistas, além da aplicação de sanção prevista no Código de Trânsito Brasileiro, que estabelece como infração gravíssima a promoção de eventos organizados sem permissão da autoridade de trânsito.
Foi autorizado, se necessário, o uso de força policial para desocupar as rodovias. "Autorizo, desde logo, que seja acionada a Força de Segurança Nacional, pelo Oficial de Justiça, AGU ou pela PRF, se houver estrita necessidade", decidiu a juíza federal Dulce Helena Dias Brasil.

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