Brasília Com a desculpa de que o preço dos computadores pessoais caiu no Brasil, o projeto do governo de criar um computador popular ''deixou de ser uma necessidade'', segundo o ministro Pimenta da Veiga (Comunicações). Mas Veiga e sua equipe parecem estar distantes do mercado brasileiro de PCs. Nas lojas, o preço mínimo de um computador novo beira os R$ 2.000 preço bem acima dos R$ 600 que o computador popular brasileiro deveria custar. Até mesmo no mercado paralelo, o preço dos PCs novos não fica abaixo dos R$ 1.300.
Os preços da indústria de informática realmente caíram no exterior durante esse ano. Com a alta do dólar no Brasil, no entanto, o patamar dos preços se mantém estável há praticamente um ano. De acordo com o ministro, o computador popular já teria causado impacto no mercado ao estimular as empresas a reduzir o preço dos seus equipamentos atuais.
Elaborado em parceria com a iniciativa privada, o projeto do PC popular brasileiro está paralisado devido a falta de definição sobre incentivos fiscais para baratear os equipamentos, entre outros problemas. Uma das resistências das empresas é justamente a possibilidade de ver o seu estoque de micros mais potentes encalhados nas prateleiras.
Em janeiro deste ano, o governo apresentou o protótipo do então ''computador de R$ 600'. Do tamanho aproximado de duas caixas de sapatos, ele permite, em sua configuração mínima, acessar a internet, processar textos e trabalhar com planilhas.
A máquina ganhou reportagens entusiásticas nos EUA, onde foi batizada de ''PC for the people''. Nenhuma outra iniciativa brasileira recebeu elogio tão alentado no mais recente Relatório do Desenvolvimento Humano das Nações Unidas.

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