Líderes governistas comemoraram ontem o recuo do economista Paul Krugman e previram a aprovação tranquila pelo Senado da indicação de Armínio Fraga para a presidência do Banco Central. Para o presidente nacional do PFL, Jorge Bornhausen (SC), e para o líder do PSDB, Sérgio Machado (CE), Fraga será aprovado pela CAE (Comissão de Assuntos Econômicos) no próximo dia 25 ou, no máximo, na primeira semana de março.
Para os dois, o relacionamento de Fraga com o megainvestidor George Soros é um trunfo para o cargo. ‘‘Acho que Armínio Fraga é um homem altamente preparado, conhecedor do Banco Central. Ele vai se sair muito bem na sabatina da CAE. Ele tem o que poucos têm: experiência dos dois lados do balcão’’, disse Bornhausen. ‘‘Além de ser um teórico, imagine o que o Armínio Fraga aprendeu sobre o mercado nesses cinco anos em que trabalhou ao lado de Soros’’, disse Machado.
Já o senador Roberto Freire (PPS-PE) afirmou que vai tentar impugnar a indicação de Fraga. ‘‘Vou pedir à Mesa Diretora do Senado que não aceite a indicação porque falta a ele um requisito básico: reputação ilibada’’. O senador disse que mesmo Krugmam afirmando não ter provas de que o presidente indicado do BC passou informações privilegiadas para Soros, a ‘‘presunção’’ é de que ele agiu assim, já que era ‘‘homem importante’’ para o megainvestidor.
‘‘Já sei que tenho um forte adversário na Mesa: o presidente Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), que assumiu o cargo criticando os especuladores e depois foi o principal articulador da indicação de Fraga. Era mera figura de retórica’’, disse.

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