A IA (Inteligência Artificial) ganha cada vez mais espaço nas empresas de todo o país, desde reuniões de diretoria até o “chão de fábrica”. No entanto, por trás da promessa de altos ganhos em produtividade, existe uma camada invisível que muitas empresas estão negligenciando: a governança de dados.

O Momento Inovação Senai, realizado nesta quinta-feira (23), em Londrina, reuniu especialistas e profissionais da industrial para discutir o tema “A base invisível da inteligência: medições confiáveis sustentam tudo. Do chão de fábrica à inteligência artificial”. Promovido pelo IST TIC (Instituto Senai de Tecnologia da Informação e Comunicação, o evento foi direcionado a trabalhadores de indústrias de todos os portes e de todos os setores de Londrina e região.

Coordenadora do Instituto Senai de Tecnologia da Informação e Comunicação e do Hub de Inteligência Artificial em Londrina, Silvana Kumura afirma que as ferramentas de IA não são panaceia para resolver todos os gargalos das empresas e que as organizações não precisam sair em disparada, fazendo altos investimentos em tecnologias que nem sempre trazem os resultados esperados.

“Dá tempo. Ninguém está para trás. Essa ansiedade que a gente cria, acho que com tanta informação, às vezes é prejudicial. Às vezes, a empresa toma decisões e investe em uma ferramenta caríssima antes de ter a base para trabalhar com ela. A ferramenta, sozinha, não traz resultado”, alertou Kumura.

Para a coordenadora, o primeiro passo para qualquer empresário é entender o real papel da inovação. “A tecnologia é um meio, não um fim. Ela serve para resolver um problema e melhorar a vida das pessoas e das organizações", afirmou. No contexto da IA, a finalidade principal deve ser o apoio à tomada de decisão e a automação de tarefas repetitivas, permitindo que o capital humano se concentre no que é essencialmente analítico e criativo.

"O melhor modelo é o conjugado: a IA com o trabalho humano. Ela tira de nós o que é padronizado e nos deixa trabalhar com o pensamento crítico, a empatia e a criatividade", explicou Kumura. Segundo ela, um dos pontos onde as empresas costumam errar é tentar implementar modelos de IA, muitas vezes pré-treinados e abertos, sem olhar para a qualidade e a segurança dos dados que alimentam esses sistemas.

“A gente não quer falar da IA, como é que eu vou usar a IA. A gente vai falar da governança de dados, dos dados, de disciplinas como gestão da qualidade, metrologia. Como é que a gente faz com que a empresa se estruture? Porque uma das premissas principais, uma das fases da inteligência computacional, é ter dados confiáveis, dados acessíveis, em volumetria. Esse é o olhar, é esse ponto de vista que a gente debate hoje”, ressaltou a coordenadora do Senai Paraná.

Um dos painelistas do evento, o coordenador de P&D (Pesquisa e Desenvolvimento) e Qualidade da Dentalclean, Emerson Rolim de Jesus destacou que a IA ajuda a alavancar a tomada de decisão pelas organizações, mas a análise crítica dos dados é essencial. “Se você tem uma base errada, essa decisão vai ser tomada com base errada pela IA. E isso pode afetar o seu produto, o seu processo, pode causar um recall no produto porque você pode ter medidas que são inconsistentes.”

Na empresa onde Rolim atua, fabricante de produtos para a saúde bucal, a calibração dos equipamentos de medição é uma norma, mas os gestores decidiram ir além. “A gente estendeu isso. Hoje, eu tenho mais de 600 equipamentos calibráveis dentro da empresa, de medição, balanças, válvulas de pressão, manômetros. E o mais importante também é treinar os usuários na utilização correta do equipamento. Isso se aplica a qualquer tipo e porte de empresa.”

Para as empresas que não sabem por onde começar a inserir ferramentas de IA em seus processos, a orientação é derrubar a ansiedade, investir na capacitação da equipe de trabalhadores, criar um roteiro estratégico que defina metas, recursos e etapas necessárias para alcançar os objetivos pretendidos e buscar apoio especializado. "Você não precisa ter tudo internalizado. Se a empresa é pequena, contrate um profissional para ajudar na estruturação. O importante é fazer de forma organizada e planejada", finalizou Kumura.

No projeto de estrutaração da base de dados, o Senai pode ajudar. Recentemente, o Senai Paraná criou o HubX IA com o objetivo de apoiar todo o empresariado paranaense no fomento e desenvolvimento de ferramentas de inteligência artificial. A iniciativa conta com a parceria da Fundação Araucária e o Sistema Fiep (Federação das Indústrias do Estado do Paraná). Os projetos são executados pelo Instituto de Tecnologia de Inovação do Senai Paraná. “O hub não é exclusivo para a indústria. É para qualquer CNPJ paranaense desenvolver projetos de inovação que envolvam inteligência artificial”, destacou o coordenador de Relacionamento em Negócios do em Tecnologia e Inovação no Senai Paraná, Tiago Stella.

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