Governança Corporativa - Um novo olhar para a gestão das empresas
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 01 de setembro de 2010
Andréa Bertoldi<BR> Equipe da Folha 
Curitiba - A Governança Corporativa será uma tendência e uma necessidade para as empresas, especialmente as familiares. É um sistema de gestão que auxilia diretamente na tomada de decisão dentro das companhias. Na prática, princípios são convertidos em recomendações objetivas, além de facilitar o acesso a recursos e contribuir para a longevidade das empresas. Os principais resultados obtidos são a melhora das relações entre os funcionários, o aumento da eficiência operacional, a melhoria no desempenho financeiro, ou seja, é uma ferramenta importante para a empresa como um todo. Esse sistema passa ainda pelo respeito desde os funcionários até os acionistas e clientes.
Está apoiada em quatro pilares principais que envolvem transparência, o tratamento a todos com equidade, a prestação de contas por parte dos administradores e a responsabilidade corporativa. ''É importante entender que a empresa está inserida na sociedade e não está isolada. Depende de clientes e fornecedores'', destaca o presidente do Conselho de Administração do Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC) e ex-presidente da BM&FBovespa, Gilberto Mifano. Ele diz ainda que não importa o tamanho da empresa para se adaptar a este sistema, mas o fundamental é ter a aplicação destes conceitos.
A governança é ainda a ''resposta para a sucessão de gerações''. Hoje, o Brasil tem empresas que já estão na segunda ou terceira geração e esse sistema tem soluções para isso. Dos 1.600 associados do IBGC, 85% são empresas familiares que não estão na Bolsa de Valores, mas adotaram a governança. No Paraná, há 123 associados ao instituto.
Esse sistema facilita até a obtenção de empréstimos das empresas junto aos bancos. O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) oferece linhas de financiamento com juros menores para empresas com conceitos superiores de governança. Hoje, das 440 empresas que fazem parte da Bolsa, 160 já operam com a governança e se comprometeram a isso em contrato.
A implantação do processo pode ser feita aos poucos e, segundo Mifano, nunca vai estar totalmente pronta, porque todo dia é necessário evoluir nisso de acordo com as necessidades e desafios do mercado.
Esse novo sistema de gestão leva em conta em um dos seus pilares os funcionários. Para ele, é fundamental que os empresários tenham em mente que ''as pessoas são o ativo mais importante das empresas'', o que traz um retorno muito positivo. No entanto, a maior parte das companhias brasileiras apenas cumpre as exigências básicas da legislação trabalhista. ''As empresas que querem ganhar espaço no mercado já acordaram para a importância de ter funcionários qualificados, motivados e satisfeitos. Para terem futuro, as empresas precisam cuidar cada vez melhor de seus empregados'', enfatiza.
Segundo ele, as empresas familiares são as que mais procuram o IBGC e ''já acordaram para o valor de usar a governança. Para ele, a maior dificuldade para mudar é a cultural, ou seja, esse é o maior desafio. O IBGC foi fundado em novembro de 1995 e é a principal referência do Brasil para o desenvolvimento das melhores práticas em governança corporativa.


