São Paulo - Três dos governadores dos seis Estados com maior potencial agrícola do País cobraram do governo federal maior empenho para a solução do que eles consideram um dos maiores gargalos para o setor de agribusiness: logística e infra-estrutura. O governador do Rio Grande do Sul, Germano Rigotto (PMDB), disse que a estrutura logística, já neste ano, vai enfrentar sérios problemas, se tornando um verdadeiro inibidor para as exportações. ''O não-cumprimento daquilo que foi prometido quando das concessões precisa ser cobrado ou então fazer novas licitações'', disse o governador, durante o seminário Agro-Brasil 2004, organizado pela Gazeta Mercantil.
Rigotto se referiu, principalmente, às concessões do setor ferroviário, onde segundo ele não foram cumpridas as promessas feitas para a melhoria de infra-estrutura. De acordo com ele, o frete em 2002 já era de US$ 27 por tonelada, representando o dobro do custo médio cobrado nos Estados Unidos. O governador gaúcho lembrou que o País tem condições de duplicar a sua produção de grãos nos próximos dez anos; e que cada um milhão de reais investido no setor de agronegócios gera 200 empregos, contra apenas três ou quatro na indústria.
O governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), afirmou também que as atuais condições de infra-estrutura e logística preocupam em função do crescimento da produção agrícola. ''Sem uma melhora das condições das rodovias, da malha ferroviária e dos portos, não adianta aumentar a produção agrícola'', disse. De acordo com ele, desde o processo de concessões as empresas sequer construíram um quilômetro de ferrovia. Ele disse também que hoje nenhum produtor agrícola tem mais segurança para exportar pelo Porto de Paranaguá.
Finalmente, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), afirmou que o setor de infra-estrutura precisa cada vez mais de maiores investimentos. Entretanto, acrescentou ele, não poderá haver investimentos se não houver segurança jurídica e confiança entre as partes: setor privado e público. ''A PPP (Parceria Público-Privada) só vai sair do papel se tivermos segurança jurídica'', disse o governador paulista. Ele sugeriu também uma descentralização das decisões na questão de infra-estrutura e logística, referindo-se a rodovias que ainda estão sob administração do governo federal.

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